Meus filmes, última atualização

O Blog está parado, mas cumprindo uma promessa que fiz a alguns amigos, aí vai a lista atualizada da minha cinemateca...

1. ...E Deus Criou a Mulher
2. 007 – Nunca mais Outra Vez
3. 12 Homens e uma Sentença
4. 2001: Uma Odisséia no Espaço
5. 8 e ½
6. 9 e ½ Semanas de Amor
7. A Casa dos Espíritos
8. A Companhia dos Lobos
9. A Cor do Dinheiro
10. A Cor Púrpura
11. A Dança dos Vampiros
12. A Doce Vida
13. A Festa do Monstro Maluco
14. A Fúria
15. A História das Copas 4 (30 a 58)
16. A Hora do Espanto
17. A Insustentável Leveza do Ser
18. A Lenda
19. A Malvada
20. A Mão que Balança o Berço
21. A Marca da Maldade
22. A Marca da Pantera
23. A Missão
24. A Moreninha
25. A Morte do Demônio
26. A Morte pede Carona
27. A Noite Americana
28. A Noite dos Mortos Vivos
29. A Paixão de Cristo
30. A Passagem
31. A Pele
32. A Primeira Noite de um Homem
33. A Princesa e o Plebeu
34. A Profecia
35. A Profecia III – O Conflito Final
36. A Profecia IV – O Despertar
37. A Queda!
38. A Sangue Frio
39. A Última Sessão de Cinema
40. A Última Tentação de Cristo
41. A Vida de David Gale
42. A Vida é Bela
43. Adeus às Armas
44. Adeus minha Concubina
45. Adiós, Sabata
46. Adivinhe Quem Vem Para Jantar
47. Alien
48. Amadeus
49. Amém
50. Amor à Flor da Pele
51. Amor Sublime Amor
52. Amores Brutos
53. An Evening with Nat King Cole
54. Anos Dourados
55. Ao Cair da Noite
56. Ao Mestre, com Carinho
57. Apocalipse Now Redux
58. Arizona Nunca Mais / A Última Loucura de Mel Brooks
59. As Invasões Bárbaras
60. As Pontes de Madison
61. Assassinato no Expresso Oriente
62. Assassinos por Natureza
63. Assim era a Atlântida
64. Ata-me!
65. Atraiçoados
66. Audrey – Couture Muse Collection
67. Ausência de Malícia
68. Babel
69. Bagdad Café
70. Banzé no Oeste
71. Barbarella
72. Barbra Streisand – The Concert
73. Batman o homem morcego
74. Bee Gees – Live by Request
75. Beleza Americana
76. Ben Hur
77. Billy Elliot
78. Blade Runner - O Caçador de Andróides (V. Original do Diretor)
79. Boa Noite e Boa Sorte
80. Bom Dia Vietnã
81. Bonequinha de Luxo
82. Bonga – O Vagabundo
83. Bonie e Clyde
84. Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças
85. Brubaker
86. Bruce Lee e o Jogo da Morte
87. Buena Vista Social Club
88. Bullitt
89. Butch Cassidy
90. Cães de Aluguel
91. Calígula
92. Candelabro Italiano
93. Cantando na Chuva
94. Caravaggio
95. Casablanca
96. Cassino
97. Cemitério Maldito
98. Chinatown
99. Chocolate
100. Cidade de Deus
101. Cidade dos Sonhos
102. Cinderela em Paris
103. Cinema Paradiso
104. Clara Nunes
105. Cleópatra
106. Clube da Luta
107. Clube dos Cafajestes
108. Colheita Maldita
109. Começou em Nápoles
110. Como Água para Chocolate
111. Como Roubar Um Milhão de Dólares
112. Conduzindo Miss Daisy
113. Constantine
114. Coração Satânico
115. Coração Valente
116. Corações Apaixonados
117. Corpo Fechado
118. Corpos Ardentes
119. Cortina Rasgada
120. Cosmos 1
121. Cosmos 2
122. Cosmos 3
123. Cosmos 4
124. Crash – No Limite
125. Culpado por Suspeita
126. Culture Club Greatest Hits
127. Curtindo a Vida Adoidado
128. Damien – A Profecia II
129. Dança com Lobos
130. David e Betsabá
131. Demência 13
132. Demétrius e os Gladiadores
133. Desejo Assassino
134. Desejo de Matar
135. Desejo de Matar 2 / Desejo de Matar 3
136. Desejo de Matar 4 / Desejo de Matar 5
137. Diários de Motocicleta
138. Dirty Dancing
139. Dogville
140. Dona Flor e seus Maridos
141. Doutor Jivago
142. Dublê de Corpo
143. Duelo de Titãs
144. Duna
145. E La Nave Va
146. E o Vento Levou
147. Ed Sullivan shows featuring The Beatles
148. Edward, Mãos de Tesoura
149. El Cid
150. Elis Regina – MPB Especial 1973
151. Em Algum Lugar do Passado
152. Em Busca da Terra do Nunca
153. Encurralado
154. Ensaio de Orquestra
155. Era uma Vez no Oeste
156. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver
157. Estrada para Perdição
158. E.T. - O Extraterrestre
159. Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída
160. Exterminador Implacável
161. Fábio Jr. Ao Vivo
162. Fahrenheit 11 de Setembro
163. Fahrenheit 451
164. Falcões da Noite
165. Fama
166. Fargo
167. Farrapo Humano
168. Fernão Capelo Gaivota
169. Flores Partidas
170. Footloose
171. Forrest Gump – O Contador de Histórias
172. Frenesi
173. Fuga à Meia-noite
174. Fuga de Alcatraz
175. Fugindo do Inferno
176. Fundo de Quintal - Ensaio
177. Furyo – Em Nome da Honra
178. Gandhi
179. Gênio Indomável
180. Ghost Dog
181. Gigi
182. Ginger e Fred
183. Golpe de Mestre
184. Gonzaguinha - Ensaio
185. Grease, nos Tempos da Brilhantina
186. Gremlins
187. Guerra e Paz
188. Gilda
189. Hair
190. Halloween
191. Hannah e Suas Irmãs
192. Harry & Sally - Feitos Um para o Outro
193. Hellboy
194. Hellraiser - Renascido do Inferno
195. Highlander
196. Howard e Anita - Jovens Amantes
197. Inferno no Pacífico
198. Inimigo meu
199. Irmão Sol, Irmã Lua
200. Janela Indiscreta
201. Joana D'arc
202. Jobim, Vinícius e Toquinho com Miúcha
203. Jogo de Espiões
204. Jogos de Adultos
205. Jogos de Guerra
206. Justiça Cega
207. K-Pax – O Caminho da Luz
208. Kagemusha: A Sombra do Samurai
209. Kika
210. Kill Bill
211. King kong
212. Ladrão de Casaca
213. Ladrões de Bicicletas
214. Lanternas Vermelhas
215. Laranja Mecânica
216. Laura
217. Lolita
218. Los Angeles – Cidade Proibida
219. Louca Escapada
220. Louca Obsessão
221. Lulu Acústico
222. M.A.S.H.
223. Mad Max
224. Manilow Live!
225. Marcas da Violência
226. Marnie - Confissões de uma Ladra
227. Matar ou Morrer
228. Matrimônio à Italiana
229. Matrix
230. Matrix Reloaded
231. Matrix Revolutions
232. Menina de Ouro
233. Meninos do Brasil
234. Mephisto
235. Meu Ódio será sua Herança
236. Meu Primo Vinny
237. Michael Jackson History
238. Millenium – Série completa
239. Minha Vida de Cachorro
240. Mistérios e Paixões
241. Monstros
242. Monthy Python em Busca do Cálice Sagrado
243. Morto ao chegar
244. Mulher do Tenente Francês
245. Mulher Nota 1000
246. Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos
247. My Fair Lady
248. Na Hora da Zona Morta
249. Nascido para Matar
250. Negócios de Família
251. No Calor da Noite
252. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
253. Nos Bastidores da Notícia
254. Nosso Amor de Ontem
255. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
256. O Bebê de Rosemary
257. O Carteiro e o Poeta
258. O Casamento do Meu Melhor Amigo
259. O Conde Drácula
260. O Corvo
261. O Desafio das Águias
262. O Dia Seguinte
263. O Dólar Furado
264. O Escândalo da Princesa
265. O Evangelho Segundo São Mateus
266. O Exorcista
267. O Expresso da Meia-noite
268. O Expresso da Meia-noite
269. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
270. O Feitiço de Áquila
271. O Franco Atirador
272. O Homem que Sabia Demais
273. O Homem-cobra
274. O Iluminado
275. O Império dos Sentidos
276. O Incrível Exército de Brancaleone
277. O Informante
278. O Labirinto do Fauno
279. O Livro de Cabeceira
280. O Mais Longo dos Dias
281. O Manto Sagrado
282. O Massacre da Serra Elétrica
283. O Mistério da Libélula
284. O Mundo Mágico dos Trapalhões
285. O Paciente Inglês
286. O Pagador de Promessas
287. O Pai da Noiva
288. O Pecado Mora ao Lado
289. O Pequeno Príncipe
290. O Piano
291. O Plano Perfeito
292. O Poderoso Chefão
293. O Poderoso Chefão II
294. O Poderoso Chefão III
295. O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas
296. O Profissional
297. O Retorno de Sabata
298. O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel
299. O Senhor dos Anéis – As Duas Torres
300. O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei
301. O Sexto Sentido
302. O Tambor
303. O Tempo e o Vento
304. O Triunfo da Vontade
305. O Vôo do Dragão
306. Oldboy
307. Omara Portuondo e Maria Bethânia
308. Onde os Fracos Não Têm Vez
309. Ônibus 174
310. Ontem, Hoje e Amanhã
311. Operação França
312. Os Bons Companheiros
313. Os Brutos também Amam
314. Os Canhões de Navarone
315. Os Deuses Vencidos
316. Os Doze Condenados
317. Os Duelistas
318. Os Embalos de Sábado à Noite
319. Os Filhos de Katie Elder
320. Os Garotos Perdidos
321. Os Gritos do Silêncio
322. Os Imperdoáveis
323. Os Intocáveis
324. Os Jovens Pistoleiros
325. Os Pássaros
326. Os Ritos Satânicos de Drácula
327. Os Sete Crimes Capitais (Seven)
328. Os Supremos – O Filme
329. Os Suspeitos
330. Oz – Série completa
331. Pague para Entrar, Reze para Sair
332. Papillon
333. Paradise Now
334. Parente é Serpente
335. Patch Adams
336. Pelé Eterno
337. Perfume de Mulher
338. Pi
339. Pink Floyd – The Dark Side of The Moon
340. Pink Floyd – The Wall
341. Platoon
342. Primavera para Hitler
343. Psicose
344. Pulp Fiction – Tempo de Violência
345. Quando Paris Alucina
346. Quanto mais Quente Melhor
347. Queimada
348. Quem vai ficar com Mary?
349. Quero ser Grande
350. Rádio Pirata Ao Vivo
351. Rain man
352. Rainha Margot
353. Ran
354. Rapsódia em Agosto
355. Rebeldia Indomável
356. Recrutas da Pesada
357. Relações Perigosas
358. Repulsa ao Sexo
359. Réquiem para um Sonho
360. Ring
361. Rob Roy – A Saga de Uma Paixão
362. Roberto Ribeiro - Ensaio
363. Rocky – Um Lutador
364. Ruas de Fogo
365. Sabata – O Justiceiro
366. Sabrina
367. Sansão e Dalila
368. Scanners - Sua Mente pode Destruir
369. Scarface
370. Seção Especial de Justiça
371. Sem Destino
372. Sexo, Mentiras e Videotape
373. Shalako
374. Simplesmente Amor
375. Sin City
376. Sindicato de Ladrões
377. Sleepers - A Vingança Adormecida
378. Snatch – Porcos e Diamantes
379. Sobre Meninos e Lobos
380. Sociedade dos Poetas Mortos
381. Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão
382. Spartacus
383. Suplício de Uma Saudade
384. Susie e os Baker Boys
385. Taxi Driver
386. Técnicas de Combate
387. Tess - Uma Lição de Vida
388. The evil Dead
389. The Very Best Of Sheryl Crow
390. Tim Maia – Ensaio 1992
391. Todos os Homens do Presidente
392. Tomates Verdes e Fritos
393. Tommy - O Filme
394. Tootsie
395. Touro Indomável
396. Traffic
397. Traídos pelo Desejo
398. Trainspotting - sem Limites
399. Três Homens em Conflito
400. Trilhas Sonoras de Novelas Internacionais Vol. 1
401. Trilhas Sonoras de Novelas Internacionais Vol. 2
402. Tubarão
403. Tudo Bem no Ano que Vem
404. Tudo que Você Sempre quis saber sobre Sexo mas tinha Medo de perguntar
405. TV Pirata
406. Último Tango em Paris
407. Um Barco e Nove Destinos
408. Um Convidado bem Trapalhão
409. Um Corpo que Cai
410. Um Dia de Cão
411. Um Espírito Baixou em Mim
412. Um Estranho no Ninho
413. Um Homem, uma Mulher
414. Um Morto Muito Louco / Quando as Metralhadoras Cospem
415. Um Pequeno Romance
416. Um Tiro na Noite
417. Um Violinista no Telhado
418. Uma Cilada para Rogger Rabit
419. V de Vingança
420. Veludo Azul
421. Vestida para Matar
422. Vida e Paixão de Jesus Cristo (1902)
423. Viver e Morrer em Los Angeles
424. Z
425. Zodíaco
426. Zorba, o Grego

 
 

2010: com certeza, um Feliz Ano Novo!

Amigos,

Eu vi a retrospectiva da Globo ontem e confesso que fiquei meio engulhado com o que vi. Na “Vênus platinada”, enquanto o desabamento do Rodoanel era consequência da sexta-feira 13 e a submersão de São Paulo era jogada na conta do aquecimento global, as numerosas conquistas de Lula eram pontuadas com interrogações.

Nada de novo. Mas como notou o próprio Lula recentemente, a mídia reage porque perde seu espaço de influência. Seus movimentos são corporativos, há muito não têm qualquer compromisso jornalístico. Os cães ladram, e a caravana passa.

E que caravana! Vai demorar um pouco ainda para os últimos moicanos anacrônicos e ressentidos daquele velho Brasil se darem conta da grandeza dos resultados consolidados nesse ano:

  • 32 milhões de brasileiros ascenderam de classe social;
  • 20 milhões deixaram a miséria absoluta;
  • Pela primeira vez um país da América Latina conquistou o direito de sediar uma Olimpíada, dando uma verdadeira e inédita lavada em países como Espanha, Japão e EUA. E teremos ainda a Copa do Mundo, de lambuja.

Haveria muitas outras conquistas a relatar, quase todas inéditas. A magnitude dos progressos implementados nos últimos sete anos é tal que, em artigo do dia 29 p.p. publicado no jornal Valor Econômico, o economista Marcelo Neri concluiu que, se simplesmente formos capazes de manter os resultados do Brasil de Lula nos próximos 5 anos, “é possível obter uma redução da pobreza à metade … de 16% da população para 8%… (O Brasil) já cumpriu a primeira meta do Milênio de fazer a pobreza cair à metade em metade do tempo. Isso significa cumpri-la de novo em cinco anos ao invés de 25 anos. A consequência desse movimento em termos das demais classes é o seguinte: queda da classe D de 18,28% (de 24,35% para 19,9%), aumento da classe C de 14,75% (de 49,2% para 56,48%) e aumento proporcional da classe AB de 50,3% (de 10,48% para 15,66% da população). Ou seja, o cenário auspicioso mostra que se a pobreza cai à metade, a classe AB dobra.”

O artigo completo pode ser lido aqui. Marcelo Neri sabe do que está falando. O chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV é um dos maiores especialistas brasileiros em políticas sociais e distribuição de renda (confira seu curriculo lates aqui). Eis aí um exercício para ajudar mesmo o mais resistente crítico de Lula a começar a entender porque o mundo reconhece nele um visionário, “o cara”, “o homem do ano”. Porque viramos uma página no Brasil. E porque a previsão do Financial Times de que Dilma será a sucessora de Lula parece tão plausível hoje.

Análises econômicas à parte, considero que nossa maior conquista recente é o estabelecimento do Brasil como protagonista importante das questões mundiais. O Brasil é finalmente um ator de peso a ser ouvido, não mais um coadjuvante que só fazia assentir com a cabeça, submissa e automaticamente, às ordens das grandes potências, a maior delas em particular. Nos jornais mais prestigiosos do planeta, Lula é visto hoje como um dos maiores players mundiais, como você pode conferir nas imagens que enfeitam esse post. “Homem do ano” para o Le Monde, o “Homem que assombra o mundo” para o El País, único latino-americano entre as “50 pessoas que moldaram a década” para o Financial Times, “superstar” para a imprensa alemã. E tudo isso é apenas a cereja do bolo. Ao longo deste 2009, foram centenas de artigos elogiosos a Lula e ao Brasil no que há de mais importante da imprensa mundial.

Conquista ainda melhor do que ter o presidente mais popular da história do planeta, é ver a auto-estima do brasileiro recuperada, é ver o brasileiro enfim se livrando, mesmo que ainda tímida, cautelosamente, de seu eterno complexo de vira-lata. E o melhor: o condão dessa mudança não é um ufanismo tolo, produzido enganosamente pela propaganda oficial ou pela oficiosa, mas um orgulho e um reconhecimento que têm fundamentos, lastro concreto no melhor momento já vivido pelo Brasil em sua história. Está claro para o mundo que temos o que dizer, temos papel de destaque diante da necessidade de novos rumos da sociedade humana. Há uma demanda por ideias arejadas que, atualmente, pouquíssimos países como o Brasil parecem ser capazes de atender. Estamos “na moda” porque temos potencial, olhamos para dentro de nós e pela primeira vez em muito tempo somos capazes de ver qualidades, e não só defeitos.

O Brasil, enfim, representa uma lufada de propostas originais num mundo irrespirável, velho, arcaico. Quando Lula é incensado pelos maiores jornais do planeta é porque o mundo, ou o que resta de humanidade nele, enxerga nosso presidente, nossa nação e nosso povo como um balão de oxigênio para sua ordem moribunda: nós somos o que eles gostariam de ser se tivessem coragem, se por ganância não se tivessem deixado soterrar e prender sob dogmas decadentes, cedido a uma concepção de mundo que abandonou qualquer criatividade e abdicou da sua maior qualidade humana, a habilidade de pensar, planejar e construir seu próprio destino, para se acomodar no imediatismo do lucro puro e simples. O mundo já nos vê assim. Agora basta nos enxergarmos melhor e apostarmos no agora. Os principais analistas preveem que o Brasil será a quinta economia do mundo já na próxima década (para a Economist, 2014 é o ano fatídico), então não vamos desapontá-los. Vamos começar agora a realizar essa previsão, vamos trabalhar para superá-la.

 

Claro que todo esse cenário positivo não tem correspondência na imprensa nacional, justamente a que mais deveria apoiar o bom momento brasileiro. Manchetes tão elogiosas ao Brasil e a Lula tiveram pouco ou nenhum destaque na nossa imprensa, televisiva ou escrita. Não espere ver os mervais, jabores, sardembergs, hipolitos, leitões, mainardis e azevedos da mídia sendo realistas e deixando de tocar o bumbo do alarmismo pessimista. Para esses caras, não importa o que Lula faça, estará errado. A pauta deles é outra e não tem nada a ver com o bem do Brasil e dos brasileiros. Interesses financeiros obscuros ou simples preconceito (de classe ou regional) impedem que as empresas jornalísticas do Brasil repercutam o otimismo mundial sobre nosso país. Mas querem saber? a má vontade das empresas que comandam a comunicação nacional nem é novidade nem me desmotiva. Ninguém inteligente pode ter imaginado que seria fácil fazer um governo pela primeira vez progressivo, olhando para o povo, priorizando a concertação de nosso histórico e gigantesco problema de distribuição de renda, dentro de uma estrutura cristalizada em alguns séculos de políticas, instituições e todo um arcabouço jurídico pensado e construído para privilegiar as elites do país.

Quem não é capaz de conceber o inédito momento histórico do Brasil, quem acha que tudo é mais do mesmo, apenas não adquiriu ainda maturidade política. E isso não seria de estranhar se, durante décadas, perdemos o direito à participação e fomos afastados, autoritária e violentamente, das principais decisões de nosso país. Estamos recomeçando e o processo de aprendizado é longo e difícil, mas as conquistas são muitas e estão aí para quem quiser ver. E quem não quiser... bem, as coisas boas vão acontecer APESAR da torcida contra de meia dúzia de recalcados.

Por isso essa mensagem não é APENAS um desejo de Feliz Ano Novo. É a expressão de uma CONVICÇÃO: Pode acreditar, amigo. 2010 será um ano muito bom para o Brasil e os brasileiros.

Não perca o bonde. Aproveite e seja feliz. Salute!

 
 

Lulismo: Dois mestres respondem a FHC

A Folha publicou, no dia 11, duas respostas primorosas ao artigo de FHC. De dois mestres: Cândido Mendes e Delfim Neto.

Para onde não vamos

CANDIDO MENDES

O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos

O ARTIGO do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ("Para onde vamos") revigora todo o debate político nacional, tirando as oposições de sua presente e contundente mediocridade. Amplo no propósito e na riqueza polêmica, parte da afirmação de que tudo que é bom no atual governo já veio de antes e que o mal de agora apenas começa.
Há, sim, confronto radical entre os dois regimes, ao contrário do que diz, e os tucanos abriram o país à globalização privatista hegemônica, enquanto o petismo vai hoje, com a melhoria social do país, à recuperação do poder do Estado, numa efetiva economia de desenvolvimento sustentável.
A legislação do petróleo, em projeto que ora assaca ao governo o ex-presidente, quer corrigir os efeitos da emenda constitucional de 1995, que desfigurou o monopólio do petróleo da Carta do dr. Ulysses num regime de concessão que, inclusive, entrega aos exploradores do subsolo nacional "a propriedade" do óleo extraído.
A partilha, sim, é o novo instrumento, nada "mal-ajambrado", em que volta, por inteiro, ao Estado o direito aos proventos dessa extração, ampliando sua destinação social imediata. Diga-o, agora, a Noruega, o país mais desenvolvido e democrático do mundo, que, exatamente, adotou esse regime nas suas riquezas do mar do Norte, deixando as concessões no cemitério das ideologias liberais capitalistas de há uma vintena.
O governo Lula reassegurou a presença do Estado para a efetiva mudança da infraestrutura, que pede o desenvolvimento, atrasado durante o progressismo liberal do PSDB, como mostravam os primeiros resultados do PAC, a contemplar entre os seus principais beneficiários, inclusive, o governo de São Paulo.
O país não frui ainda, claro, o programa Minha Casa, Minha Vida, mas sabe que o Bolsa Família colocou a população de uma Colômbia na nossa economia de mercado.
Claro, também enfrentamos o risco da absorção corporativa sindical no controle dos recursos públicos.
Mas essa é etapa adiante da página que se virou de vez, ou seja, do retorno ao controle pelo status quo, sob a ideologia social-democrata, de autolimitação do poder do Estado ou da crença dos progressismos espontâneos, sem dor para o país instalado, como professa a oposição a Lula.
O embaraço do tucanato em reconhecer o "entreguismo" dos controles públicos durante o seu governo é o mesmo que o alvoroça a assimilar o governo Lula ao "populismo autoritário peronista".
São comparações regressivas, que não se dão conta da experiência única da chegada do "outro país" ao poder, contra o desespero da violência dos "sem-nada", das Farc colombianas ou do Sendero Luminoso, no Peru, e assentou, de vez, uma maioria nacional, consciente de suas opções.
Realizar-se ou não o que seja, hoje, na sua originalidade, o "povo de Lula", é a diferença entre o Brasil "bem" e o país da mudança.
O petismo não é o justicialismo peronista, e hoje a nossa consciência coletiva supera o próprio partido, na solidez do que não quer para o futuro.
Essa nossa adesão ao novo, aliás, foi adiante, até, da própria legenda e de suas siderações pelas vantagens do poder, nessa matriz de um evento político que torna as futuras eleições tão distintas de uma escolha da hora entre situacionismos cansados e oposições gulosas. E o Brasil potência, tão profligado pelo ex-presidente, é a configuração emergente desse país que sabe que não volta ao berço esplêndido da nação dos ricos.
Mais que a denúncia dos "pequenos assassinatos" a minar "devagarzinho" o espírito democrático, o que entra pelos olhos do Brasil na conduta de Lula é a determinação visceral do governo de não ceder a um terceiro mandato, avassaladoramente acolhível, se assim quisesse o presidente, por emenda constitucional, tal como o governo tucano desfigurou o monopólio do petróleo.
No inverso de Chávez, Lula, no seu gesto, reafirma o essencial da democracia, que é o cumprimento das regras do jogo, no que diga a Carta, por maior que seja o poder da hora de quem está no palácio.
O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos, tanto quanto a nação de Lula sabe que, no Brasil, é "o povo como povo" intrinsecamente melhor que as suas "elites como elites".
CANDIDO MENDES , 81, membro da Academia Brasileira de Letras e da Comissão de Justiça e Paz, é presidente do "senior Board" do Conselho Internacional de Ciências Sociais da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e secretário-geral da Academia da Latinidade.

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Lulismo?

ANTONIO DELFIM NETTO

SURPREENDIDA COM a recuperação da economia brasileira e o imenso protagonismo de Lula no cenário internacional, cuja visibilidade interna é a aprovação de sua administração por três de cada quatro brasileiros, a oposição parece presa a um quadro de catalepsia.
Isso certamente não ajuda a continuidade do progresso institucional que conseguimos desde a Constituição de 1988 e que começa a nos distinguir claramente de alguns de nossos parceiros da América Latina. Estes insistem em repetir velhos erros do passado. Tentam curto-circuitos que a história mostrou levar a incêndios, mas não ao crescimento econômico sustentável.
A tragédia da discussão é que, em lugar de um programa que reforce as linhas corretas do governo Lula e leve à superação dos problemas que ele deixará, propõe-se retroagir ao caminho já percorrido. Não deixa de ser patético continuar a confundir um necessário Estado indutor forte com a fantasia de que o "mercado", por si mesmo, produz o "equilíbrio" mais conveniente para a sociedade.
É claramente possível criticar o "lulismo" por sua simpatia sindical, por seu aparelhamento e por muitos motivos. Mas qual governo não "aparelha" quando a administração pública não é profissionalizada e o número de "cargos de confiança" (sem vinculação à competência) é gigantesco?
O "aparelhamento" do Estado tem sido permanente e ligado não apenas a problemas geográficos, partidários ou ideológicos. Quem conhece Brasília sabe que se trata de um fenômeno "geológico". Cada presidente levou para lá e fixou (às vezes com duvidosos "concursos seletivos") um estrato de seus conterrâneos. Um corte do terreno mostra as "camadas" (os mineiros, os maranhenses, os alagoanos, os paulistas, os sindicalistas...) sobre as quais cada governo acrescentou a sua, respeitando cuidadosamente as anteriores...
É preciso reconhecer que a rápida recuperação se deve a pelo menos dois pontos que dependeram do próprio comportamento de Lula. Primeiro, com sua inteligência e perspicácia, rejeitou o terceiro mandato, que destruiria toda a obra institucional constituída em 1988; segundo, com sua intuição, assumiu o risco de minimizar a crise, afastando o "pânico", e reforçou as políticas públicas que deram sustentação ao consumo interno.
Isso não é pouca coisa, e é por isso que ele tem o apoio de 3/4 da população!
A eleição de 2010 não pode se fazer em torno das pobres alternativas de, ou voltar ao passado, ou dar continuidade a Lula. A discussão precisa incorporar os horizontes do século 21 e a superação dos problemas que certamente restarão do seu governo.

 
 

O filho de FHC e o silêncio dos jornalistas

Essa é uma história que fala sobre o caráter, e sobre a falta dele.

Há 20 anos Lula disputava uma eleição parelha com Collor, um desconhecido governador de Alagoas, que meses antes havia sido ungido pela mídia e pelas elites para enfrentar o "Sapo barbudo", com sua varinha mágica (que depois se revelou um engodo) de "Caçador de Marajás". Era só o começo. Houve todo tipo de sujeira naquela eleição: O presidente da FIESP chantageou o povo ameaçando que os empresários deixariam o país; a edição do debate da Globo foi flagrantemente manipulado no noticiário da emissora; os sequestradores do empresário Abílio Diniz foram obrigados a vestir camisetas do PT na aprsentação para a imprensa. Mas o golpe mais sujo e de maior impacto veio mesmo na véspera das eleições. Uma ex-namorada de Lula, Míriam Cordeiro, veio à TV dizer uma série de calúnias contra Lula. Relembre esse episódio triste da nossa política e da nossa imprensa abaixo:

Vale lembrar que Lula já estava viúvo quando namorou Míriam, e não detinha cargo eletivo. Assumiu Lurian, a filha desse relacionamento fortuito, assim que ela nasceu. Sempre lhe foi próximo e a sustentou. Nada disso interessou à mídia, que amplificou as calúnias de Míriam sem qualquer investigação ou contraditório. Importava apenas tirar Lula do páreo, ganhar a eleição. O ponta de lança de Roberto Marinho, o jornal O Globo, publicou em 14 de dezembro de 1989 o editorial entitulado "O direito de saber", defendendo o indefensável: a exploração inescrupulosa de dramas familiares dos candidatos, como sempre "em nome da democracia". Pego de surpresa, Lula se recusou a responder no mesmo tom e se calou sobre as calúnias da ex-namorada, para preservar a filha. E aos 45 do 2º tempo, perdeu as eleições.

É interessante ressaltar que o adversário de Lula de então, Fernando Collor, tinha ele mesmo um filho fora do casamento. Lula e o PT sempre se recusaram a usar a informação.

Logo depois Lula teria como adversário na política um ex-companheiro da luta democrática, Fernando Henrique Cardoso. Este guardava zelosamente, em segredo, outro drama familiar: DURANTE seu mandato de senador e DURANTE seu casamento com Dona Ruth Cardoso, FHC teve um relacionamento com outra Mírian, Dutra, uma jornalista da Globo. Desse relacionamento nasceu um filho, Tomás. FHC não o reconheceu e o escondeu, para preservar sua carreira política. TODO o meio jornalístico sabia dessa relação e de seu fruto. NADA foi dito. Em 18 anos, apenas um veículo alternativo, a revista Caros Amigos, publicou reportagem sobre o assunto em 2000. A grande imprensa fez um pacto de silêncio. Não se sabe a que custo. Por 18 anos (dezoito anos!), ninguém se interessou em contar a história. Nem O Globo que, em 89, contra Lula, defendera tão ardorosamente "o Direito de Saber". Pelo contrário, foi a Globo que ajudou a esconder Mírian e seu filho na Europa, mantendo-a como correspondente de luxo, sem trabalhar. A que custo? Por 18 anos, até hoje, com a nota de Mônica Bérgamo na Folha. Que não se sabe ainda a que veio. Com certeza, serve a algum propósito essa "notícia", claramente autorizada, depois de 18 anos. Além de tudo, uma nota escrita de modo a fazer a assepsia do ato vil de FHC. O pai que escondeu o filho vira praticamente um herói com a matéria, decidindo assumi-lo. Dezoito anos depois.

Talvez você pensasse que a classe jornalística poderia ter revisto suas atitudes a partir do episódio Lula, e por isso estivesse tratando FHC com a dignidade que, em 89, fora negada ao atual presidente. Mas infelizmente, a exploração feita, recentemente, do filho de Renan Calheiros fora do casamento, com outra jornalista, não deixa dúvida que a postura da mídia apenas teve uma exceção: Fernando Henrique Cardoso.

Lula teria FHC como adversário desde as eleições de 1994. Como todo jornalista ele sabia de Tomás, mas jamais autorizou a utilização político-eleitoral do episódio.

Desce o pano. Pulamos para 1998, bastidores da privatização das teles:
“A imprensa está muito favorável, com editoriais”, diz Mendonça de Barros.
“Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira. “Estão exagerando, até.”

Engraçado, eu me lembro de quantas vezes me tomaram como mentiroso, ou doido, porque eu falava do filho que FHC não assumiu. Diziam: "Se é verdade, porque não saiu na Folha, na Veja ou no Jornal Nacional?" E eu pergunto agora: quantas verdades não vimos, não vemos e não veremos na Folha, na Veja ou no Jornal Nacional?

Para terminar essa reflexão necessária, anexo abaixo um vídeo com as campanhas de 1989, alguns personagens ainda estão por aí, desempenhando papéis diversos. Às vésperas das eleições de 2010, pense no quanto está em jogo, em quantas vezes você foi enganado pelas aparências, por palavras de ordem duras e moralistas, que papel desempenhou naquela ocasião e que papel pretende desempenhar daqui a um ano, diante da urna.

P.S.: Tomei emprestado aqui vários links do site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, que é, a meu ver, quem tem feito a cobertura mais completa do assunto.

 
 

Caetano sobre Lula: nem Dona Canô aprova

Caetano é de leão, como eu, mas continua em seu inferno astral. Tomou outro tombo, tentou se retratar dizendo que Lula é "brilhante", mas nem assim se livrou das críticas. E dessa vez não foi só o povão e a blogosfera, mas sua própria família. Caê não foi perdoado nem por sua própria mãe. Deu no Blog do Marrom, do Correio da Bahia:

14/11/2009 17:58:00

Família Velloso pede desculpas ao Presidente Lula

Rodrigo Velloso, irmão de Caetano Veloso (foto) e Secretário Municipal de Cultura de Santo Amaro fez questão de esclarecer, através de um pedido de desculpas, que a família Velloso não tem nada a ver com a declaração do mano famoso. Eis o teor do documento:

'Venho a público esclarecer que a recente declaração, feita pelo cantor e compositor Caetano Veloso sobre o Presidente Lula, não expressa, em nenhuma hipótese, a opinião da família Velloso. Sua matriarca, Dona Canô, por mei intermédio, deseja se dirigir ao Governador Jaques Wagner, a todos os brasileiros e, principalmente, ao Presidente da República, com um sincero pedido de desculpas'.

Rodrigo Velloso

Mais D. Canô:

15/11/2009 às 20:37

Dona Canô pedirá desculpas pelo filho

Rita Conrado A TARDE
Dona Canô pretende ligar para o presidente: “Eu quero muito bem a Lula”
Dona Canô vai telefonar nesta segunda-feira, 16, para o presidente Lula para dizer que não concorda com as declarações do filho famoso, Caetano Veloso,  que chamou Lula de analfabeto, grosseiro e cafona numa entrevista (clique aqui para acessar) ao jornal O Estado de S. Paulo, provocando reações – positivas e negativas –  em todo o País.

Ela falará ao presidente depois que Rodrigo Velloso, irmão de Caetano, fez um pedido de desculpas, sexta-feira, num evento na Praça da Purificação, em Santo Amaro, em nome da família.

“Se ele me atender, eu falo com ele”, disse D. Canô, que ainda não sabe o que dizer. “Vou falar o que estiver sentindo na hora”, declarou a mãe de Caetano, de 102 anos. Mas a matriarca da família Velloso tem dúvidas sobre se Lula poderá atendê-la. “Tentei falar com ele no dia do seu aniversário, mas não consegui. Ele é muito ocupado”, assinalou D. Canô, que, apesar de não concordar com Caetano, disse que não será ela quem lhe puxará as orelhas.

Não merece - “Ele mesmo puxa, pois sabe que o presidente não merece isso”, assinalou.  A mãe de Caetano falou do carinho que nutre pelo presidente. “Eu quero muito bem a Lula”, afirmou. “Foi uma ofensa sem necessidade”, disse. “Caetano não tinha que dizer aquilo. Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar confusão”, observou D. Canô, que não se mostrou preocupada com uma possível insatisfação de Caetano às suas declarações, se desculpando, ou às de seu irmão, Rodrigo.

“Ele está doido? Ele tem de aceitar”, disse, ressaltando que também não fará uma reprimenda ao filho. “Ele também não merece. É o jeito dele”, contemporizou. O irmão de Caetano, Rodrigo Velloso, secretário de Cultura de Santo Amaro, também atribuiu ao “jeito” de Caetano as declarações sobre o presidente, que achou absurdas.

Maluquice - “Caetano tem essa mania de falar as coisas sem pensar e aí diz coisas assim. Falou de maneira preconceituosa. Achei uma maluquice. Fiquei revoltado”, afirmou Rodrigo, ao contar a forma inesperada como surgiu o pedido de desculpas. “Eu participava de um evento em Santo Amaro, sexta-feira, e fui convidado a falar, como secretário de Cultura”, disse.  “Ao subir no palanque, a primeira coisa que me ocorreu, vendo ali o secretário Rui Costa (de Relações Institucionais do Estado), foi pedir a ele que transmitisse ao governador Jaques Wagner e ao presidente Lula o pedido de desculpas em nome da minha mãe e da nossa família”, afirmou Rodrigo. “Achei decente fazer isso”, assinalou.

Segundo Rodrigo, as declarações de Caetano foram feitas dois dias após o presidente Lula ter atendido a um pedido de D. Canô. “O presidente solicitou ao secretário da Saúde que ajude à  Santa Casa de Misericórdia, que está prestes a fechar”, contou Rodrigo, que desconhece as intenções de Caetano com  tais declarações. “Quem é que sabe? Pelo que conheço dele, já até esqueceu o que falou”, disse o irmão.

Além dos recados muito bonitinhos de D. Canô, uma das respostas mais contundentes que Caetano teve foi a de Zé Celso, homem do teatro brasileiro. É também uma das mais belas definições de Lula feitas recentemente:

Terça-Feira, 10 de Novembro de 2009

Tropicália, sob o signo de escorpião

José Celso Martinez Corrêa

No mesmo dia em que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no Caderno 2 do Estadão, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na seção Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da cultura, como estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.  

Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto para Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a "res pública". Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a Vagar - Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. "Amor Ordem e Progresso." O amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.

Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Essa "estasia", Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que exista!

Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

"Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor, dizem mió
Para telha, dizem teia
Para telhado, dizem teiado
E vão fazendo telhado"

SamPã, 6 de novembro, sob o signo de escorpião, sexo da cabeça aos pés, minha Lua de Ariano, evoéros!

 
 

Ennio Marchetto, o imitador de papel

Direto do Youtube, um artista talentoso...

 
 

A última pesquisa e o apagão da mídia

Nada que surpreenda, claro. Mas a mídia fez um auê do blecaute ocorrido semana passada, muito mais que naquele ocorrido em 1999, sob FHC. O mais importante é destacar que, apesar das tentativas da imprensa em convencer do contrário, o blecaute de agora, tenha as causas que tiver (a ONS já anunciou que se deveu a três raios simultâneos numa mesma linha de transmissão), não tem nada a ver com a falta de planejamento e, consequentemente, geração de energia que acarretou o apagão de FHC em 2001 e o racionamento nos dois últimos anos de seu governo. Claro que a imprensa não se conforma e tenta, a todo custo, relacionar as duas coisas. No vídeo abaixo, resposta de Lula a mais uma tentativa de "politicagem jornalística", dessa vez de uma jornalista da Globonews:

Pouca gente sabe, mas a repercussão incessante do "apagão" de Lula teve função dupla: de um lado, colocar o governo Lula (e a candidatura de Dilma, por extensão) em pé de igualdade com o de FHC, na área energética. O que é falso. De outro lado, a ocupação diuturna do noticiário com as causas e repercussões do blecaute permitiu esconder a notícia mais importante do período, que não seria omitida se o resultado fosse inverso: Dilma subiu 4 pontos e Serra caiu 4, na última pesquisa Vox Populi. Entendeu agora porque você não viu o resultado dessa pesquisa destacado em nenhum telejornal? Confira matéria do Estadão e delicie-se com o patético "apesar", que não poderia faltar no subtítulo (a diferença entre as rejeições de um e outro é de gigantesco 1%):

terça-feira, 10 de novembro de 2009, 20:57

Dilma sobe 4 pontos e Serra perde 4 em novo Vox Populi
Apesar do crescimento em relação a outubro, a ministra petista tem a maior rejeição; tucano ainda lidera

André Mascarenhas, do estadao.com.br
SÃO PAULO - Pesquisa eleitoral Vox Populi/Band divulgada pelo Jornal da Band nesta terça-feira, 10, mostra a recuperação da pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil (PT), Dilma Rousseff, que já tem 19% das intenções de voto no cenário com o governador de São Paulo, o tucano José Serra. No último levantamento, em outubro, a pré-candidata petista tinha 15% dos votos. 

A enquete também mostra a retração das intenções de voto em Serra, que continua em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto. No mês passado, o tucano tinha 40%. No mesmo cenário, o deputado federal Ciro Gomes, do PSB, aparece em terceiro, com 13% das intenções de voto. Heloisa Helena, do PSOL, tem 6%, e a senadora Marina Silva, do PV, 3%.

A margem de erro é de 2,4%. Dois mil eleitores foram ouvidos em 170 municípios de todos os Estados, menos Acre, Roraima e Rondônia.

Num segundo cenário, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, como candidato tucano, Dilma aparece em primeiro lugar, com 20% dos votos. Nessa lista, a ministra está tecnicamente empatada com Ciro Gomes, que tem 19%, e Aécio, com 18%. Heloisa Helena aparece como 8% das intenções, e Marina com 4%.

A pesquisa também avalia o nível de rejeição dos pré-candidatos. Nesse quesito, Aécio é o que tem a menor rejeição, ou seja, apenas 5% dos eleitores disseram que não votariam de jeito nenhum no tucano. Ciro vem em segundo, com 8% de rejeição. Heloísa Helena foi citada por 10% dos entrevistados. Marina e Serra aparecem com 11%. Dilma Roussef tem a maior rejeição: 12%.

O instituto também testou o nível de decisão dos eleitores; 33% já decidiram em quem votar. Por fim, o Vox Populi mediu ainda o índice de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que subiu de 65% em outubro para 68% em novembro.

Apagão do ROUBANEL

Para azar do maior partido de oposição do Brasil (não, eu não estou me referindo ao PSDB, mas à grande imprensa), Deus é justo e logo após o blecaute houve a queda das vigas, de 45m e 85 TONELADAS, do ROUBANEL de Serra. Por milagre, ninguém morreu. Um funcionário da Defesa Civil de São Paulo levantou a hipótese de que estão usando "cimento verde" na fabricação das vigas (o cimento não seca direito e fica mole por dentro). Pressa para inaugurar até as eleições? Confira o vídeo do jornalismo da Record, abaixo. Nenhuma outra emissora, dentre as grandes, deu.

Em seu blog, Luís Nassif, longe de fazer qualquer pré-julgamento político-eleitoral, fez sua obrigação de jornalista e, ao contrário da grande imprensa, lembrou que o ROUBANEL vinha sendo criticado em sucessivas fiscalizações, uma delas publicada no Jornal da Tarde:

Sábado, 14 novembro de 2009

Auditoria do TCU apontou alteração no projeto da obra

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), entre maio e julho de 2008, apontou alterações no projeto básico da obra. Para reduzir os custos, as empresas contratadas alteraram métodos construtivos, com redução no número de vigas usadas em pontes, substituição de estacas metálicas por pré-moldadas e troca de areia por brita em muros de contenção. “Assim, usaram menos material de construção, mas receberam o mesmo dinheiro”, explica o relatório do Tribunal.

O documento do TCU aponta as irregularidades como “graves” e passíveis de resultar numa “combinação altamente danosa às finanças” da União e do Estado. “O desdobramento do processo pode gerar repactuação contratual, anulação do contrato e ressarcimento de valores.”

Integra o consórcio responsável pelo lote 5 a empresa Carioca. Trata-se da mesma empresa responsável pela obra do viaduto do Fura-Fila que caiu na Vila Prudente, em 1º de abril de 2008. O lote 5, com 35 pontes e viadutos, tem 18,6 km de extensão e representa 19,7% da obra.

No orçamento do trecho sul, mais de R$ 4 bilhões - sendo R$ 1,2 bilhão de recursos liberados pelo governo federal - estão incluídas a construção da rodovia, desapropriações e compensações ambientais.

O trecho leste do Rodoanel está em fase de discussões e a parte norte será a última a ser construída. Quando estiver toda finalizada, a rodovia interligará dez rodovias que servem a capital.

E essa é fresquinha, saiu hoje:

15/11/2009 - 08h33
Construtoras não cumpriram o contrato em obra do Rodoanel
da Folha Online

Auditoria realizada em 2007 e 2008 pelo TCU (Tribunal de Contas da União) constatou que as empreiteiras responsáveis pelo Rodoanel mudaram o material descrito em contrato e optaram por vigas pré-moldadas a fim de baratear o custo dos viadutos. É o que revela reportagem da Folha deste domingo (disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Nesta sexta-feira (13), três vigas da obra caíram, atingiram veículos e deixaram três pessoas feridas.

O trecho sul --onde as vigas despencaram sobre carros na noite de anteontem-- está sob investigação do tribunal, que já listou 13 irregularidades no percurso de 61 quilômetros.

O secretário de Transportes de São Paulo, Mauro Arce, negou que estejam sendo utilizados materiais mais baratos. Segundo ele, algumas falhas apontadas pelo TCU foram resolvidas com um TAC (termo de ajustamento de conduta). Ele não nega, no entanto, que possam ter ocorrido problemas com o material utilizado na viga que causou o acidente.

Os contratos de obra de todo o Rodoanel (sem contar outros gastos, como desapropriações), que somam R$ 3,6 bilhões, são investigados pelo TCU desde 2003.

Acidente

Apesar de descartar a hipótese de falhas no projeto, o diretor de engenharia da Dersa e gestor responsável pela construção do Rodoanel, Paulo Vieira de Souza, admitiu que possa ter havido problemas na execução da obra.

As vigas, que pesam 85 toneladas e têm 40 metros de comprimento, haviam sido instaladas no começo desta semana. Por volta das 21h15, elas despencaram de uma altura aproximada de 20 metros e atingiram um caminhão e dois carros --um deles ficou totalmente destruído.

É o famoso choque de gestão tucano!

 
 

O que Hitler tem a ver com a UNIBAN?

Saiba assistindo ao divertidíssimo vídeo abaixo:

Pra quem não sabe, o Youtube está cheio de montagens sobre esse trecho do filme A QUEDA (quem ainda não teve a aportunidade, assista. Senão pelo filme, pela atuação magnífica do ator principal, Bruno Ganz, que pode ser percebida mesmo nos vídeos de sacanagem). Uma outra muito boa é a que faz alusão a José Serra nas eleições de 2010. Hilário:

 
 

Jurassic Park 2: Diploma de BURRO para a UNIBAN

Dizem que "errar é humano, mas persistir no erro é..." burrice, não? E que dizer quando os dois erros partem da direção de uma universidade, aquela instituição que deveria ser o templo do saber e base do convívio social civilizado?

Pois é. Lembram da Uniban? então, não satisfeita em falhar na proteção da estudante e promover um discurso no mínimo preconceituoso no dia do incidente, a reitoria da universidade expulsou a aluna, RESPONSABILIZANDO-A PELAS AMEAÇAS DE ESTUPRO E OFENSAS QUE RECEBEU. E tome protesto da sociedade! Assemelha-se assim, a Uniban, à outra ridícula instituição nacional, a oposição ao governo Lula. Não precisam de adversários, SUICIDAM-SE simplesmente com seus renitentes erros. "Burrice" é muito pouco pra essa turma...

 
 

O imperador Sarney e a oposição de ocasião

Os fatos:

  • Na onda do neo-"Fora Sarney", os jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano (Caros Amigos) lançaram o livro "Honoráveis Bandidos", que tem na capa a efígie do imperador do Maranhão (confira abaixo);
  • O livro foi boicotado pelas principais livrarias do Maranhão, sem justificativa;
  • A empresa responsável pela divulgação em outdoors devolveu o dinheiro e raspou as peças já colocadas, também sem maiores explicações;
  • Sem espaço comercial, os jornalistas aceitaram a oferta do Sindicato dos Bancários local, para lançar o livro em sua sede na capital;
  • Durante o evento, militantes da juventude do PMDB invadiram o salão, provocando tumulto e agredindo alguns dos presentes.

Claro, essa baixaria patrocinada pelo clã Sarney no Maranhão não foi repercutida nem pela atual oposição nem pela grande imprensa. Eles, que sempre apoiaram o bigodudo e dele se beneficiaram, patrocinaram recentemente uma campanha oportunista contra Sarney. Deixaram o senador ser de novo o presidente do Congresso, para depois ensaiar uma campanha das mais hipócritas na tentativa de apeá-lo da presidência, com o único objetivo de lá colocar o vice sem voto, senador Marconi Perillo, do PSDB, e desestabilizar o governo Lula. Ao que Lula, corretamente, reagiu, o que não foi entendido infelizmente por muitos. O jogo político é complexo, e o brasileiro de um modo geral é desinteressado de compreender seus meandros. Mas aos poucos, com muita luta de alguns abnegados, tá melhorando. Eu, que desde sempre faço campanha para banir Sarney da política, reitero o Fora Sarney! Mas não da presidência do Congresso, agora, em medida casuística e partidária-eleitoral. Mas para sempre, da vida pública nacional.

 
 

FHC: "Narciso acha feio o que não é espelho"

A exemplo de Caetano, Lula deu uma resposta à altura ao artigo golpista do invejoso FHC, essa semana, num Congresso do PCdoB. Foi a resposta que todos que o apoiamos tínhamos engasgada na garganta há muito tempo...

 
 

Paulo Niemeyer Filho por dentro do cérebro

A Revista Poder, de Joyce Pascowitch, publicou há algum tempo essa ótima entrevista com o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, considerado um dos maiores expoentes em sua especialidade. Achei interessante e replico na íntegra (antes que proíbam! rsrs). Dr. Paulo liderou a equipe que operou meu pai quando de um incidente sério, muitos anos atrás. O tratamento foi todo na Beneficência Portuguesa do Rio, e foi excelente. Salvou-lhe a vida.

28/01/2009 -  17:59    
Por dentro do cérebro

Chegar à casa do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no alto da Gávea, no Rio de Janeiro, é uma emoção. A começar pela vista deslumbrante da cidade, passando pelos macacos que passeiam pelos galhos até avistar as orquídeas que caem em pencas das árvores, colorindo todo o jardim. Cada uma dessas flores foi presente de um paciente do médico, que sua mulher, Isabel, replantou na parte externa da casa. Ou seja: a competência desse médico, com 33 anos de profissão, que dedica sua vida à medicina com a paixão de um garoto, pode ser contada em flores. E são muitas.
Filho do lendário neurocirurgião Paulo Niemeyer, pioneiro da microneurocirurgia no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo escolheu a medicina ainda adolescente. Aos 17 anos, entrou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se para a Inglaterra, onde foi estudar neurologia na Universidade de Londres. De volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina. Ao todo, sua formação levou 20 anos de empenho absoluto. Mas a recompensa foi à altura. Apaixonado por seu ofício, Paulo chefia hoje os serviços de neurocirurgia da Santa Casa do Rio de Janeiro e da Clínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a sábado, quando não há uma emergência no domingo, e ainda encontra tempo para dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia da PUC-Rio.
Por suas mãos já passaram o músico Herbert Vianna – de quem cuidou em 2001, depois do acidente de ultraleve em Mangaratiba, litoral do Rio –, o ator e diretor Paulo José, a atriz Malu Mader e, mais recentemente, o diretor de televisão Estevão Ciavatta – marido da atriz Regina Casé que, depois de um tombo do cavalo, recupera-se plenamente –, além de centenas de outros pacientes, muitos deles representados pelas belas flores que enchem de vida o seu jardim.

PODER: Seu pai também era neurocirurgião. Ele o influenciou?
PAULO NIEMEYER: Certamente. Acho que queria ser igual a ele, que era o meu ídolo.
PODER: Seu pai trabalhou até os 90 anos. A idade não é um complicador para um neurocirurgião? Ela não tira a destreza das mãos, numa área em que isso é crucial?
PN: A neurocirurgia é muito mais estratégia do que habilidade manual. Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a metade do resultado. Você tem de ser um estrategista..
PODER: O que é essa inovação tecnológica que as pessoas estão chamando de marcapasso do cérebro?
PN: Tem uma área nova na neurocirurgia chamada neuromodulação, o que popularmente se chama de marcapasso, mas que nós chamamos de estimulação cerebral profunda. O estimulador fica embaixo da pele e são colocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamento de alguma área. Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson. Quando a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodo no ponto que o está provocando, inibe essa área e o tremor pára. Esse procedimento está sendo ampliado para outras doenças. Daqui a um ou dois anos, distúrbios alimentares como obesidade mórbida e anorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador cerebral. Porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.
PODER: O que se conhece do cérebro humano?
PN: Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em que consegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o cérebro vem sendo desvendado. Ainda há muito o que descobrir, mas com essas técnicas de estimulação você vai entendendo cada vez mais o funcionamento dessas áreas. O que ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo. Por que um clone jamais será igual ao original? Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento depende muito da influência do meio e de outras causas que a gente nunca vai desvendar totalmente.
PODER: Existe uma discussão entre psicanalistas e psiquiatras, na qual os primeiros apostam na melhora por meio da investigação da subjetividade, e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se resolve com remédios. Qual é sua opinião?
PN: Há casos de depressão que são causados por tumores cerebrais: você opera e o doente fica bem. Há casos de depressão que são causados por deficiência química: você repõe a química que está faltando e a pessoa fica bem. Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que ficavam trancados num quarto escuro e quando faziam a cirurgia se livravam da depressão e nunca mais tomavam remédio. E há os casos que são puramente psíquicos, emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio.
PODER: Já existe alguma evolução na neurologia por causa das células-tronco?
PN: Muito pouco. O que acontece com as células-tronco é que você não sabe ainda como controlar. Por exemplo: o paciente tem um déficit motor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas não consegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que faz o movimento. Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o controle, ainda.
PODER: Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar melhor?
PN: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.
PODER: Cabeça tem a ver com alma?
PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma. Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.
PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?
PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.
PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?
PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.
PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?
PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.
PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?
PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.
PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é?
PODER: Você não vê contraindicações na manipulação dos processos naturais da vida?
PN: O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas. Com a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter um câncer de mama. Mas 70% não querem dizer que você vai ter, até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem. Isso vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas, como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências. Nós vamos ter problemas daqui para frente que serão éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates.
PODER: Você acredita que na hora em que as pessoas puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo, as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?
PN: Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai ser o problema: todo mundo vai ser inteligente. Isso vai tirar um pouco do romantismo e da graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está acostumado. Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos. Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.
PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?
PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.
PODER: Paciente famoso dá mais trabalho?
PN: A revista New England Journal of Medicine publicou um artigo sobre as complicações do tratamento vip, mostrando que o perigoso nesse tipo de tratamento é que você muda a sua rotina. Eles deram o exemplo do papa João Paulo 2º e do ex-presidente norte-americano Ronald Regan, que levaram tiros. E mostraram momentos em que eles quase morreram porque, quando chega um doente desses, o hospital para, todo mundo quer ver e ajudar, a sala de cirurgia fica lotada, o cirurgião deixa de fazer um exame que devia ser feito porque pode doer… O doente vip acaba influindo nas decisões médicas pela importância que tem, e isso pode complicar o tratamento. Ele tem de ser tratado igualzinho ao doente comum, para poder dar certo.
PODER: Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa não querer fazer??
PN: A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é a ciência, e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um conjunto. Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor. De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas. É muito difícil, a gente tem de respeitar muito.
PODER: Como é o seu dia-a-dia?
PN: Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório. Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na Clínica São Vicente. O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores. Então, é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal. (risos)
PODER: Você é workaholic?
PN: Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo. Quando viajo, fico entediado. Depois de alguns dias, quero voltar. Você perde a sua referência, está acostumado com aquela pressão, aquele elástico esticado.
PODER: Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente?
PN: É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender. Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro com o grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi a dificuldade. Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o cirurgião acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo.
PODER: Como você lida com as famílias dos seus pacientes?
PN: Essa relação é muito importante. As famílias vão dar tranquilidade e confiança para fazer o que deve ser feito. Não basta o doente confiar no médico. O médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é uma família que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma segurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não tem como opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação inesperada e tem de decidir por ele. Se tem certeza de que ele está fechado com você, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação bilateral, como num casamento. Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida.
PODER: Você acredita em Deus?
PN: Não raramente, depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando você acaba de operar, vai até a família e diz: “Ele está salvo”. Aí, a família olha pra você e diz: “Graças a Deus!”. Então, a gente acredita que não fomos apenas nós.
PODER: Como você relaxa?
PN: Estudando. A coisa que mais gosto de fazer é ler. Sábado e domingo, depois do almoço, gosto de sentar e ler, ficar sozinho em silêncio absoluto.
PODER: E o que gosta de ler?
PN: Sobre medicina ou história. Agora estou lendo um livro antigo, chamado Bandeirantes e Pioneiros, do Vianna Moog, no qual ele compara a colonização dos Estados Unidos com a do Brasil. E discute por que os Estados Unidos, com 100 anos a menos que o Brasil, tiveram um enriquecimento e um progresso tão rápidos. Por que um país se desenvolveu em progressão geométrica e o outro em progressão aritmética.

 
 

Alô, alô, Terezinha!

Vou recomendar à minha meia-dúzia de leitores um filme imperdível, que assisti na semana passada: “Alô, alô, Terezinha” que mostra, com muita emoção mas principalmente muito bom humor, uma pequena parte da figura anárquica que foi o velho guerreiro, Chacrinha, estrela fulgurante da nossa telinha. Um documentário de mais de uma hora e meia que o público nem sente passar, pelo contrário, lamenta ao final não poder dar mais risadas. Segue o trailer:

Assistam, vale muito a pena! De quebra, o filme ainda mostra a sequência completa da qual vasou um dos grandes hits da internet deste ano, Biafra e o parapente...

 
 

18,5 MILHÕES ascendem de classe em apenas 3 anos de Lula

Adiantando porque Dilma vai ser eleita em 2010...

O Globo, 5/11/2009:

Pesquisa do Ipea aponta que 18,5 milhões de brasileiros ascenderam de classe social em três anos

Lino Rodrigues

SÃO PAULO - Em apenas três anos (entre 2005 e 2008), 18,5 milhões de brasileiros registraram elevação real em seus rendimentos individuais superior ao crescimento da renda per capita e à inflação, passando aos níveis mais altos de renda na pirâmide social.

A avaliação é de uma análise realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2008. Pelos dados divulgados pelo Ipea, 7 milhões de pessoas ascenderam à classe média e 11,5 milhões ingressaram na alta.

O documento do Ipea, que considera como classe superior de renda o valor acima de R$ 465 mensais, aponta que a ascensão aos níveis mais altos de renda se deu com mais intensidade nas regiões Sudeste e Nordeste, e atingiu uma parcela maior de indivíduos negros e do sexo feminino.

- Já temos uma elite negra no país, que se beneficiou desse crescimento na renda - disse o presidente do Ipea, Márcio Pochman.

A pesquisa apontou ainda que houve uma redução da participação do segmento de renda mais baixa da população entre os anos de 1995 e 2008. Em 1997, as pessoas que menos ganhavam representavam 34% da população. Em 2008, esta fatia caiu para 26%, o menor nível desde 1995. Já a classe média, que respondia 21,8%, cresceu para 37,4%, considerando a mesma base de comparação.

Recomendo também outra notícia de hoje... Lula recebe prêmio em Londres e homenageia povo brasileiro

Destaco o trecho a seguir, uma declaração de Lorde Robertson, presidente da Chatham House, algo que uma minoria intransigente, na imprensa e na opinião pública nacionais, precisa ouvir e refletir: "Durante muito tempo, ao mesmo tempo em que admirávamos o Brasil nos frustrávamos ao ver que os líderes anteriores ao senhor nunca desperdiçavam a oportunidade de desperdiçar a oportunidade".

P.S.: Lembrando aos cri-cris que os três anos citados aí em cima incluem a maior crise econômica mundial desde 1929...

 
 

Meu encontro com Letícia Sabatella

Ainda não falei aqui do meu encontro com Letícia Sabatella. Assisti no mês passado um documentário muito bom da nossa querida musa com Gringo Cardia, chamado Hotxuá. O documentário fala sobre um personagem existente na tribo Krahô, no Tocantins, que dá nome ao filme, responsável pela manutenção do equilíbrio e bem-estar daquela comunidade através do humor. O índio Ismael, focado no filme, encarna essa missão com satisfação e responsabilidade, usando os artifícios de um clown para provocar a tribo, seja para espantar alguma eventual tristeza ou raiva, seja para instigar um questionamento relevante.

Ambos, diretora e Hotxuá, estavam presentes na apresentação do filme, no Festival de Cinema de Salvador, e foi muito bom ouvi-los. Quanto à Letícia Sabatella, tenho a dizer que ela consegue ser ainda mais linda pessoalmente, transmite uma calma, uma paz incrível, é tão delicada, meiga, gentil… que eu não esperaria dela nada mais, mas a menina além de tudo é politizada e muito, muito inteligente.

Ao falar sobre os Krahô e refletir sobre sua experiência no filme, Letícia explicou a fala de um velho índio da tribo, num dos momentos mais tocantes da película. Ela contou como aquela tribo está sendo sitiada pela monocultura da soja e como isso é muito mais profundo do que apenas a contaminação dos alimentos, solo e rios pelo volume absurdo de venenos das fazendas ao redor. Os índios personificam os alimentos, dialogam com eles, que permeiam todo o imaginário daquela cultura, a ponto de as frutas, legumes, raízes terem participação expressiva em sua linguagem. Os alimentos fazem parte da sua visão de mundo e mitologia, nomeiam as coisas ao redor, algo muito difícil de nós, brancos, entendermos. Com o avanço implacável da monocultura, morrem os outros alimentos, morre a língua e a cultura dos índios. Morrem os Krahô.

Ao ouvir o discurso de Letícia, lembrei de seu debate com Ciro Gomes no Congresso (sobre a transposição do rio São Francisco). É fácil partirmos para o FlaxFlu, quem está certo e quem está errado, mas a coisa está longe de ser simples assim. Acho que os dois estão certos, embora expressem visão de mundo tão diversa, a maioria dos políticos representam de fato a visão de mundo predominante na sociedade. Mudar os políticos e o rumo do nosso desenvolvimento não será possível sem que a própria sociedade mude. As pessoas têm que decidir: que desenvolvimento queremos? o Brasil pode e deve, de fato, ir na contramão do mundo para liderar um novo modelo de desenvolvimento, que implique em mais qualidade de vida e preservação da cultura das minorias e dos recursos naturais, AINDA QUE isso signifique um pouco menos de comodidade e um lucro imediato menor? Quem está disposto a abrir mão de seu quinhão? ou vamos apenas ficar dizendo “Salvem a Amazônia!” (ou o Velho Chico, ou os índios..) enquanto ela continua a ser destruída para nosso próprio usufruto? ou vamos dizer "Salvem a Amazônia" e continuar lotando as churrascarias?

E me lembro da tentativa, perpetrada pela imprensa e pela oposição, de criminalização do MST. Incrível como alguns, os famosos "homens de bem", são capazes de manifestar indignação incontida com a derrubada de alguns pés de laranja, ao passo que têm sido incapazes de se indignar minimamente com a grilagem de terras, o latifúndio improdutivo diante de tanta miséria, os 713 milhões de litros de venenos agrícolas despejados todo ano em nosso solo, os 12 assassinatos somente no primeiro semestre deste ano, por conflitos no campo (segundo a Pastoral da Terra). Haverá sentido, haverá lucidez no homem que é capaz de se indignar mais com a derrubada de alguns pés de laranja e a ocupação de uma propriedade ("oh, salvem as propriedades dos homens de bem!") do que com o assassinato de um seu semelhante? É muito difícil, é uma luta e para chegarmos perto de uma solução há que se mudar radicalmente, antes de qualquer atitude, nosso modo de pensar.

E só para concluir, na mesma semana em que vi o filme assisti também, no Canal Livre, uma tentativa de debate sobre o trabalho e propostas de reforma trabalhista. Ao tocarem no tema da redução da jornada para 40 horas, os argumentos eram todos sobre a viabilidade e possíveis desdobramentos… do ponto de vista econômico. Toda a pauta, tudo o que importava, era a repercussão disso para “o mercado”. O deputado Vicentinho, defensor da redução, bem que tentou falar das razões sociais, do quanto isso implica também em melhor qualidade de vida e o quanto isso é importante para o SER HUMANO, tão ou mais que a grana (curiosamente, havia um sociólogo na mesa, mas ele tampouco achou esses aspectos relevantes), em vão. A pauta era uma só: economia. Essa é a pauta que norteia não só os nossos jornalistas, mas a vida de todos nós. E enquanto for assim, vamos ser sinceros, há como esperar que Krahôs, trabalhadores, natureza… ou mesmo a Letícia Sabatella e as belezas, como ela, já tão raras nesse mundo, resistam ao poderio e à determinação cega das grandes corporações?

P.S.: Ainda sobre essa visão economico-mecanicista do ser humano, que tenta reduzi-lo à máquina em função da maximização do lucro de alguns, nunca me esqueço do gênio de Chaplin em Tempos Modernos e de uma frase deliciosa de Faulkner: "Não desejo o dinheiro tanto assim a ponto de trabalhar por ele. Na minha opinião é uma vergonha que haja tanto trabalho no mundo. Uma das coisas mais tristes é que a única coisa que um homem pode fazer oito horas por dia, dia após dia, é trabalhar. Não se pode comer oito horas por dia, nem fazer amor oito horas – tudo o que se pode fazer durante oito horas é trabalhar. É esse o motivo pelo qual o homem se torna, a si e a todos os demais, infelizes e miseráveis."

Letícia e o Hotxuá: encantadores, cada um a seu modo...

Eu e a deusa: a cara de idiota denuncia meu incomensurável constrangimento em tietar...

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