Teletema e o Goldenrança...

Recentemente, o jornalista Luis Nassif postou em seu blog, que eu frequento assiduamente, um vídeo da Paula Toller cantando uma de nossas mais belas canções: Teletema. Surgiu uma discussão: Quem gravou essa bela música? Evinha ou Regininha, como discutiam os comentaristas Luiz Oliveira e Marombão?

O pior é que ambos tinham razão. Segundo o Cravo Albim, as duas irmãs gravaram a belíssima Teletema. Evinha fez mais sucesso com Casaco Marrom e Cantiga para Luciana, quanto à Teletema a versão de Regininha veio antes e provavelmente ficou mais famosa, porque foi a que emplacou na abertura da primeira produção da novela Véu de Noiva, de Janete Clair, ainda em 69 (Evinha a gravaria logo depois). Aliás, aquele veio a ser o primeiro disco com músicas compostas especialmente para a novela e o primeiro disco exclusivamente de trilha de novela, obra de Nelson Motta, um cara que tem um papel tão relevante na música brasileira dos últimos 40 anos que a gente até desculpa as bobagens que ele comete quando opina sobre política.

O fato é que não é fácil mesmo saber quem é quem, nessas versões. Tanto Evinha e Regininha, quanto sua irmã mais nova Marizinha, tinham voz parecida, suave e poderosíssima nos agudos, e fica difícil distinguir só ouvindo. Além disso, cantaram juntas por muito tempo e compartilhavam sucessos, o que torna tudo muito mais complicado. Pra dificultar mais, depois de um sucesso estrondoso até os anos 70, elas “sumiram”. Evinha casou com um músico francês e se mudou pra França. Marizinha também. Foram cuidar da vida, da casa, dos filhos, e só ocasionalmente se reúnem para celebrar a música, com um disco aqui, uma apresentação acolá... tudo sempre muito comemorado pelos fãs fidelíssimos, incluído este escriba, modestamente.

Roberto, Ronaldo, Renato, Regina, Mário, Eva e Mariza Corrêa, por ordem de nascimento. Sete irmãos daquela que talvez seja a família mais musical da música brasileira. Roberto, Ronaldo e Renato formaram, junto com o primo Valdir Anunciação, os Golden Boys. Regininha, Mário e Evinha, a primeira formação do Trio Esperança. Cantaram desde muito jovens, estouraram durante a Jovem Guarda e nunca pararam. Marizinha, a caçula, foi uma espécie de Simony, gravou ainda criança um disco infantil de sucesso. Já crescida, substituiu a irmã Regina no trio quando esta se afastou, e faria ainda muito sucesso nos anos 70 com a canção Mais Uma Vez, que emplacou na trilha da novela O Astro.

Sobre essa música, aliás, tem uma curiosidade, mais uma confusão. Eu tinha esse sucesso na cabeça, ouvi muito na minha infância, o refrão grudava como chiclete: “Quando algum amigo perguntar por mim/Diga que eu estou apaixonada/E se algum amigo duvidar de mim/Simplesmente não responda nada”. Queria achar a música mas não tinha nada em catálogo. Nessas horas, a salvação é a Internet, claro. Mas naquela época as coisas não estavam tão fáceis, eu precisava do nome da música ou da cantora. E eu jurava que a gravação era da Claudia Telles, outra cantora com “C” maiúsculo da nossa música, uma gracinha de pessoa que eu, aliás, adoro, e que merece também um post especial. Um dia assisti um show da Claudinha e fiquei com vergonha de falar com ela, tirar foto e tal, só pedi pra autografar o CD, ao que ela aquiesceu muito solicitamente. Um tempo depois comentei com o André, um amigo radialista, aquela situação. Contei que era fã da Claudia Telles e falei da música. Uns dias depois ele disse que encontrou a Claudinha e comentou. E qual não foi minha surpresa. Doce como sempre, Claudinha não só disse a ele que eu devia ter tirado as fotos, indicando outro show para nos encontrarmos, como lembrou daquele grande sucesso e disse que muita gente pensa que a música é dela mesmo, mas mandou certeira o nome da intérprete: Marizinha. Só mais tarde eu fiquei sabendo que Claudinha Telles não só conhecia Marizinha de longa data (foram colegas de escola) mas era amiga da família e também substituiu Regina no Trio Esperança. Mais uma vez, estava explicada a confusão tão comum. A voz doce de Claudinha também se assemelhava à das irmãs Corrêa.

Eu poderia ficar aqui falando um dia inteiro deles que são também considerados entre os melhores crooners do Brasil, gravaram com o Rei e dezenas de artistas do primeiro time da nossa MPB, muitas vezes não creditados nos discos por questões contratuais. A família também tem uma quantidade enorme de jingles gravados, a voz maravilhosa de Evinha está em filmes da Disney, enfim: Vocês certamente já ouviram as vozes desses irmãos brilhantes por aí, muitas vezes, mesmo que não saibam.

Fico pensando porque é tão difícil manter a história da nossa música, sobretudo dessa família talentosíssima de cantores negros, belas vozes e a mais alta técnica vocal. Penso se não há nisso, além do preconceito, um certo patrulhamento ideológico pelo fato de a Jovem Guarda ter sido, por muito tempo, considerada alienada naquele clima de FlaxFlu da ditadura militar. Evinha reconheceu isso com tranquilidade, numa entrevista de 1999: “Eu saía do colégio, de uniforme, e meu irmão sempre me pegava e eu ia de uniforme pra São Paulo. Depois, bem mais tarde, eu vim a saber que a gente era muito criticado... por talvez sermos 'alienados' etc., mas pra mim era pura brincadeira. Então agora, com o tempo, é que eu sei o quanto fomos criticados. Pra mim era uma maravilha fazer o programa do Roberto Carlos em São Paulo. Todo domingo a gente pegava avião pra São Paulo. Pra mim a Jovem Guarda era pegar avião, ir pra São Paulo, chegar lá e cantar.” Enfim, é uma lástima essa falta de reconhecimento, de memória do Brasil com seus melhores filhos. Tem origem naquele complexo de vira-lata, naquela educação colonizada que nos faz conhecer muito mais um Abraham Lincoln do que um Simon Bolívar ou um San Martín. Esses ícones da nossa música tinham que ser lembrados o tempo todo, estou fazendo a minha parte aqui. Abaixo, alguns vídeos que não me canso de rever, sempre impressionado com a afinação, as vozes lindas e a alegria de cantar dessa família maravilhosa da nossa MPB. Confiram vocês mesmos como canta fácil esse pessoal...

Evinha e sobrinho (filho do Mário) no Sem Censura, em outubro de 2005 – Parte 1:

Evinha e sobrinho (filho do Mário) no Sem Censura, em outubro de 2005 – Parte 2:

Evinha na Hebe, também em outubro de 2005 – Parte 1:

Evinha na Hebe, também em outubro de 2005 – Parte 2:

Aqui, a versão de Teletema de Evinha:

Aqui, a versão da irmã Regina, utilizada na novela:

 

 

Evinha emprestando sua voz para os ratinhos da Disney, Bernardo e Bianca:

Aqui, família completa, no Jô:

E o maior sucesso de Marizinha, que relatei acima:

Aqui, uma ótima entrevista com Evinha, de abril de 1999.

E aqui uma outra, no mesmo site, com todo o Trio Esperança.

P.S.1: Nessa entrevista, Regina afirma que Evinha é a voz na primeira abertura do Fantástico e a irmã não desmente. Mas eu ouvi a primeira abertura e posso jurar que quem sola é nossa querida Vanusa, agora tristemente famosa pelo hino. Se confundiram. Então, um doce pra quem souber em qual das aberturas Evinha canta...

P.S.2: Do meu comentário no Nassif, surgiu uma outra discussão paralela sobre se Teletema foi composta especialmente para a novela ou não. E uma bela história sobre a composição, enviada pelo J.Meirelhes. Aí vai:

 
 

Pra desopilar: Esse bebê A-D-O-R-A a Beyoncé!

 
 

Jurassic Park: Estudante paulista quase é estuprada por vestir minissaia

Um retrato triste do universitário paulista. Definitivamente, para alguns o século XXI ainda vai custar muito a chegar... a notícia do Vírgula News vai abaixo, mas recomendo também o post do Boteco Sujo que deu o furo, muito bom.

Aluna da Uniban ameaçada de estupro no campus por usar minissaia

Da redação

Publicado em 28/10/2009 07:43:00 

Uma estudante do curso de Turismo da Faculdade Uniban, unidade de São Bernardo do Campo (SP), teria sofrido ameaça de estupro de outros alunos por estar usando minissaia e se portando de modo "provocativo". A denúncia foi divulgada no blog Boteco Sujo e teria acontecido no dia 22 de outubro passado.

O fato ocorreu durante o horário de aula e causou tanto tumulto na faculdade que as aulas foram interrompidas e centenas de alunos saíram das classes para acompanhar a movimentação. A moça teria se refugiado dos agressores em uma sala, só conseguindo sair de lá acompanhada de escolta policial.

Dois vídeos circulam na internet com cenas do acontecimento. O vídeo abaixo mostra inicialmente o intenso movimento dos estudantes no pátio central da faculdade e, mais para a frente, a estudante saindo escoltada pela polícia aos gritos de "puta! puta!".

O Virgula entrou em contato com o secretário-geral da unidade, que se identificou apenas como Tiba. Ele confirmou o acontecido e garantiu que uma sindicância foi instaurada para se apurar os responsáveis.

"A aluna veio trajada de uma determinada forma e isso provocou os alunos", declarou o secretário ao Virgula. Perguntado se a Uniban acha que isso justifica a agressão à aluna, o secretário foi contraditório. Inicialmente disse que "ela deu causa, ela deu motivos", mas logo em seguida amenizou: "Também não era motivo para tanto alvoroço".

 
 

Juros: Mais uma vitória do governo Lula

Da InfoMoney: Juro ao consumidor cai para 43,6% a.a. em setembro, o menor desde 1994
É sempre a mesma coisa: quando Lula fez o certo, trocou o presidente do BB, peitou os bancos privados e mandou os públicos baixarem os juros, os "cavaleiros do apocalipse" de sempre, da nossa "grande imprensa", meteram o pau. Agora, nem um pedido de desculpas. Foi assim com a crise, com a dívida pública, com o PIB...

 
 

Porque o Snowkite não é um esporte muito popular...

 
 

Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!

Hoje é dia de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis! então daqui a pouco, enquanto vascaínos estão pedindo para voltar ao 1º turno do brasileiro e botafoguenses e tricolores pedindo pra não cair pro 2º, a imensa nação rubro-negra estará irmanada, e abençoada por seu padroeiro São Judas, na torcida por mais uma vitória na batalha (e que batalha!) pela liderança do brasileirão. Abaixo, um texto que recebi e gostei, sobre o sentido (que só um flamenguista pode entender) de ser um torcedor do “mais querido”. Aos 35 milhões de rubro-negros orgulhosos como eu e ao nosso São Judas, SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS no dia do flamenguista!

“Uma Vez Flamengo, Flamengo Até Morrer…”
28 de Outubro – O dia do flamenguista
By RicaPerrone

“Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.”, disse Nelson Rodrigues, fanático tricolor desprovido de vaidades clubisticas na hora de analisar futebol.
Hoje, 28 de outubro, é o dia do flamenguista. Hoje, 28 de outubro de 2009, é o dia que o Flamengo pode se tornar líder do campeonato Brasileiro. Hoje, como quase toda quarta-feira, é dia de 35 milhões de pessoas viverem por um só objetivo e outras 150 milhões torcerem contra.
Amanhã, como sempre, líder ou fora da briga, a capa dos jornais terá o tal do Flamengo.
Decidindo titulo, lá estarão milhares de torcedores, em outro estado, fazendo com que o tal do Flamengo jogue em casa quando deveria atuar fora.
No sábado, onde todos brigam pela liderança, lá estará ele, de novo, jogando com 12, burlando o regulamento básico do futebol.
E se o time pipocar e perder o titulo novamente, não muda nada. Vão se revoltar, xingar, protestar e, daqui 3 meses, lá estarão eles fazendo juras de amor ao time num clássico qualquer pelo campeonato estadual, aquele que nem eles aguentam mais vencer.
O time mais inexplicável do planeta terra, sem dúvida.
Não ganha o principal titulo nacional desde 1992. Lá se vão mais de 17 anos e a torcida diminui? Não, aumenta. Segundo pesquisa, a maior entre as crianças do país.
Quando ninguém dá nada pra eles, chegam e surpreendem a todos. Quando todos esperam muito, ele perde e decepciona sua nação.
Favorito em tudo que disputa, simplesmente pelo citado acima. Ninguém é capaz de saber o que esperar do Flamengo, nunca.
E quando eventualmente não tem um time capaz de ser campeão, a cobrança é como se tivesse. Ou seja, não existem jogadores no Flamengo. Existe o Flamengo e ponto final.
Única torcida do planeta que paga ingresso por 2 espetáculos. Um no campo, como todas elas, e outro que ela mesmo proporciona.
O flamenguista vai ao Maracanã pra curtir o time, o jogo, o clima e a própria torcida. É único.
Talvez uma das raras torcidas do mundo que tenha dezenas de ídolos, mas que não há discussão sobre o maior.
Existe o Zico e o resto. E o “resto” inclui, talvez, os dois melhores laterais que o mundo já viu em cores. Leandro e Junior.
A Nação rubro-negra não tem esse nome a toa. São 35 milhões de torcedores, e vejamos:
A cidade mais populosa do mundo é Tóquio. E tem 34 milhões de pessoas.
A maior do Brasil é são Paulo, com 19.
O Flamengo, sozinho, tem 35. Se cobrasse impostos seria trilhardário.
Não cobra, e vive devendo.
Deve milhões, e isso não faz a menor diferença.
Ao contrário do amor que tanto exaltamos, este não vai embora quando o
amado fica pobre. É amor de verdade, o mais puro que existe.
Incondicional, este sim.
Aquele que não analisa, que não raciocina, que não condiciona a nada.
A nação poderia dizer, sem culpa: “Eu te amo, e pronto”.
Não interessa porque, como, quando e nem sob quais condições.
É maior, é inexplicável.
Ser Flamengo é algo que não tem comparação. Eu não nasci assim, e nem ouso dizer se felizmente ou infelizmente.
Flamenguista é aquele sujeito que ama futebol acima do que ele o proporciona. Aquele que não troca amor por resultados, e que não condiciona sua preferencia por um ou outro jogador.
Por aí existe o Santos de Pelé, o São Paulo de Rogério Ceni, o Palmeiras de Ademir.
Lá existe o Zico do Flamengo.
A ordem é sempre inversa. Os valores são sempre diferentes.
Ser flamenguista não torna ninguém melhor do que os outros, nem pior. Diferente, sem dúvida.
Ser maioria é algo que fortalece. É infinito, porque a nação não tem fim, e nem deixará de ser a maior torcida do país nos próximos 200 anos.
Odiar o Flamengo é absolutamente justificavel.
Qualquer um fica irritado em ganhar titulos e mais titulos e ver que a capa do jornal não muda de foto. É sempre a do Flamengo.
Qualquer um se incomoda em saber que titulos e dividas menores não conseguem sobrepor a importancia de um clube que tem sua grandeza baseada em nada atual e concreto.
É grande. Porque? Porque é.
Pode existir algo maior do que o que não se explica?
Entrar num Maracanã lotado e olhar pra aquela torcida é algo que apenas eles sabem o que é, o que significa e o quanto importa.
“Torcida não ganha jogo”, dizem.
“Só se for a sua”, eles dirão.
Hoje é dia do flamenguista.
Você não é Flamenguista?
Que pena.

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