18,5 MILHÕES ascendem de classe em apenas 3 anos de Lula

Adiantando porque Dilma vai ser eleita em 2010...

O Globo, 5/11/2009:

Pesquisa do Ipea aponta que 18,5 milhões de brasileiros ascenderam de classe social em três anos

Lino Rodrigues

SÃO PAULO - Em apenas três anos (entre 2005 e 2008), 18,5 milhões de brasileiros registraram elevação real em seus rendimentos individuais superior ao crescimento da renda per capita e à inflação, passando aos níveis mais altos de renda na pirâmide social.

A avaliação é de uma análise realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2008. Pelos dados divulgados pelo Ipea, 7 milhões de pessoas ascenderam à classe média e 11,5 milhões ingressaram na alta.

O documento do Ipea, que considera como classe superior de renda o valor acima de R$ 465 mensais, aponta que a ascensão aos níveis mais altos de renda se deu com mais intensidade nas regiões Sudeste e Nordeste, e atingiu uma parcela maior de indivíduos negros e do sexo feminino.

- Já temos uma elite negra no país, que se beneficiou desse crescimento na renda - disse o presidente do Ipea, Márcio Pochman.

A pesquisa apontou ainda que houve uma redução da participação do segmento de renda mais baixa da população entre os anos de 1995 e 2008. Em 1997, as pessoas que menos ganhavam representavam 34% da população. Em 2008, esta fatia caiu para 26%, o menor nível desde 1995. Já a classe média, que respondia 21,8%, cresceu para 37,4%, considerando a mesma base de comparação.

Recomendo também outra notícia de hoje... Lula recebe prêmio em Londres e homenageia povo brasileiro

Destaco o trecho a seguir, uma declaração de Lorde Robertson, presidente da Chatham House, algo que uma minoria intransigente, na imprensa e na opinião pública nacionais, precisa ouvir e refletir: "Durante muito tempo, ao mesmo tempo em que admirávamos o Brasil nos frustrávamos ao ver que os líderes anteriores ao senhor nunca desperdiçavam a oportunidade de desperdiçar a oportunidade".

P.S.: Lembrando aos cri-cris que os três anos citados aí em cima incluem a maior crise econômica mundial desde 1929...

 
 

Meu encontro com Letícia Sabatella

Ainda não falei aqui do meu encontro com Letícia Sabatella. Assisti no mês passado um documentário muito bom da nossa querida musa com Gringo Cardia, chamado Hotxuá. O documentário fala sobre um personagem existente na tribo Krahô, no Tocantins, que dá nome ao filme, responsável pela manutenção do equilíbrio e bem-estar daquela comunidade através do humor. O índio Ismael, focado no filme, encarna essa missão com satisfação e responsabilidade, usando os artifícios de um clown para provocar a tribo, seja para espantar alguma eventual tristeza ou raiva, seja para instigar um questionamento relevante.

Ambos, diretora e Hotxuá, estavam presentes na apresentação do filme, no Festival de Cinema de Salvador, e foi muito bom ouvi-los. Quanto à Letícia Sabatella, tenho a dizer que ela consegue ser ainda mais linda pessoalmente, transmite uma calma, uma paz incrível, é tão delicada, meiga, gentil… que eu não esperaria dela nada mais, mas a menina além de tudo é politizada e muito, muito inteligente.

Ao falar sobre os Krahô e refletir sobre sua experiência no filme, Letícia explicou a fala de um velho índio da tribo, num dos momentos mais tocantes da película. Ela contou como aquela tribo está sendo sitiada pela monocultura da soja e como isso é muito mais profundo do que apenas a contaminação dos alimentos, solo e rios pelo volume absurdo de venenos das fazendas ao redor. Os índios personificam os alimentos, dialogam com eles, que permeiam todo o imaginário daquela cultura, a ponto de as frutas, legumes, raízes terem participação expressiva em sua linguagem. Os alimentos fazem parte da sua visão de mundo e mitologia, nomeiam as coisas ao redor, algo muito difícil de nós, brancos, entendermos. Com o avanço implacável da monocultura, morrem os outros alimentos, morre a língua e a cultura dos índios. Morrem os Krahô.

Ao ouvir o discurso de Letícia, lembrei de seu debate com Ciro Gomes no Congresso (sobre a transposição do rio São Francisco). É fácil partirmos para o FlaxFlu, quem está certo e quem está errado, mas a coisa está longe de ser simples assim. Acho que os dois estão certos, embora expressem visão de mundo tão diversa, a maioria dos políticos representam de fato a visão de mundo predominante na sociedade. Mudar os políticos e o rumo do nosso desenvolvimento não será possível sem que a própria sociedade mude. As pessoas têm que decidir: que desenvolvimento queremos? o Brasil pode e deve, de fato, ir na contramão do mundo para liderar um novo modelo de desenvolvimento, que implique em mais qualidade de vida e preservação da cultura das minorias e dos recursos naturais, AINDA QUE isso signifique um pouco menos de comodidade e um lucro imediato menor? Quem está disposto a abrir mão de seu quinhão? ou vamos apenas ficar dizendo “Salvem a Amazônia!” (ou o Velho Chico, ou os índios..) enquanto ela continua a ser destruída para nosso próprio usufruto? ou vamos dizer "Salvem a Amazônia" e continuar lotando as churrascarias?

E me lembro da tentativa, perpetrada pela imprensa e pela oposição, de criminalização do MST. Incrível como alguns, os famosos "homens de bem", são capazes de manifestar indignação incontida com a derrubada de alguns pés de laranja, ao passo que têm sido incapazes de se indignar minimamente com a grilagem de terras, o latifúndio improdutivo diante de tanta miséria, os 713 milhões de litros de venenos agrícolas despejados todo ano em nosso solo, os 12 assassinatos somente no primeiro semestre deste ano, por conflitos no campo (segundo a Pastoral da Terra). Haverá sentido, haverá lucidez no homem que é capaz de se indignar mais com a derrubada de alguns pés de laranja e a ocupação de uma propriedade ("oh, salvem as propriedades dos homens de bem!") do que com o assassinato de um seu semelhante? É muito difícil, é uma luta e para chegarmos perto de uma solução há que se mudar radicalmente, antes de qualquer atitude, nosso modo de pensar.

E só para concluir, na mesma semana em que vi o filme assisti também, no Canal Livre, uma tentativa de debate sobre o trabalho e propostas de reforma trabalhista. Ao tocarem no tema da redução da jornada para 40 horas, os argumentos eram todos sobre a viabilidade e possíveis desdobramentos… do ponto de vista econômico. Toda a pauta, tudo o que importava, era a repercussão disso para “o mercado”. O deputado Vicentinho, defensor da redução, bem que tentou falar das razões sociais, do quanto isso implica também em melhor qualidade de vida e o quanto isso é importante para o SER HUMANO, tão ou mais que a grana (curiosamente, havia um sociólogo na mesa, mas ele tampouco achou esses aspectos relevantes), em vão. A pauta era uma só: economia. Essa é a pauta que norteia não só os nossos jornalistas, mas a vida de todos nós. E enquanto for assim, vamos ser sinceros, há como esperar que Krahôs, trabalhadores, natureza… ou mesmo a Letícia Sabatella e as belezas, como ela, já tão raras nesse mundo, resistam ao poderio e à determinação cega das grandes corporações?

P.S.: Ainda sobre essa visão economico-mecanicista do ser humano, que tenta reduzi-lo à máquina em função da maximização do lucro de alguns, nunca me esqueço do gênio de Chaplin em Tempos Modernos e de uma frase deliciosa de Faulkner: "Não desejo o dinheiro tanto assim a ponto de trabalhar por ele. Na minha opinião é uma vergonha que haja tanto trabalho no mundo. Uma das coisas mais tristes é que a única coisa que um homem pode fazer oito horas por dia, dia após dia, é trabalhar. Não se pode comer oito horas por dia, nem fazer amor oito horas – tudo o que se pode fazer durante oito horas é trabalhar. É esse o motivo pelo qual o homem se torna, a si e a todos os demais, infelizes e miseráveis."

Letícia e o Hotxuá: encantadores, cada um a seu modo...

Eu e a deusa: a cara de idiota denuncia meu incomensurável constrangimento em tietar...

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