2010: com certeza, um Feliz Ano Novo!

Amigos,

Eu vi a retrospectiva da Globo ontem e confesso que fiquei meio engulhado com o que vi. Na “Vênus platinada”, enquanto o desabamento do Rodoanel era consequência da sexta-feira 13 e a submersão de São Paulo era jogada na conta do aquecimento global, as numerosas conquistas de Lula eram pontuadas com interrogações.

Nada de novo. Mas como notou o próprio Lula recentemente, a mídia reage porque perde seu espaço de influência. Seus movimentos são corporativos, há muito não têm qualquer compromisso jornalístico. Os cães ladram, e a caravana passa.

E que caravana! Vai demorar um pouco ainda para os últimos moicanos anacrônicos e ressentidos daquele velho Brasil se darem conta da grandeza dos resultados consolidados nesse ano:

  • 32 milhões de brasileiros ascenderam de classe social;
  • 20 milhões deixaram a miséria absoluta;
  • Pela primeira vez um país da América Latina conquistou o direito de sediar uma Olimpíada, dando uma verdadeira e inédita lavada em países como Espanha, Japão e EUA. E teremos ainda a Copa do Mundo, de lambuja.

Haveria muitas outras conquistas a relatar, quase todas inéditas. A magnitude dos progressos implementados nos últimos sete anos é tal que, em artigo do dia 29 p.p. publicado no jornal Valor Econômico, o economista Marcelo Neri concluiu que, se simplesmente formos capazes de manter os resultados do Brasil de Lula nos próximos 5 anos, “é possível obter uma redução da pobreza à metade … de 16% da população para 8%… (O Brasil) já cumpriu a primeira meta do Milênio de fazer a pobreza cair à metade em metade do tempo. Isso significa cumpri-la de novo em cinco anos ao invés de 25 anos. A consequência desse movimento em termos das demais classes é o seguinte: queda da classe D de 18,28% (de 24,35% para 19,9%), aumento da classe C de 14,75% (de 49,2% para 56,48%) e aumento proporcional da classe AB de 50,3% (de 10,48% para 15,66% da população). Ou seja, o cenário auspicioso mostra que se a pobreza cai à metade, a classe AB dobra.”

O artigo completo pode ser lido aqui. Marcelo Neri sabe do que está falando. O chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV é um dos maiores especialistas brasileiros em políticas sociais e distribuição de renda (confira seu curriculo lates aqui). Eis aí um exercício para ajudar mesmo o mais resistente crítico de Lula a começar a entender porque o mundo reconhece nele um visionário, “o cara”, “o homem do ano”. Porque viramos uma página no Brasil. E porque a previsão do Financial Times de que Dilma será a sucessora de Lula parece tão plausível hoje.

Análises econômicas à parte, considero que nossa maior conquista recente é o estabelecimento do Brasil como protagonista importante das questões mundiais. O Brasil é finalmente um ator de peso a ser ouvido, não mais um coadjuvante que só fazia assentir com a cabeça, submissa e automaticamente, às ordens das grandes potências, a maior delas em particular. Nos jornais mais prestigiosos do planeta, Lula é visto hoje como um dos maiores players mundiais, como você pode conferir nas imagens que enfeitam esse post. “Homem do ano” para o Le Monde, o “Homem que assombra o mundo” para o El País, único latino-americano entre as “50 pessoas que moldaram a década” para o Financial Times, “superstar” para a imprensa alemã. E tudo isso é apenas a cereja do bolo. Ao longo deste 2009, foram centenas de artigos elogiosos a Lula e ao Brasil no que há de mais importante da imprensa mundial.

Conquista ainda melhor do que ter o presidente mais popular da história do planeta, é ver a auto-estima do brasileiro recuperada, é ver o brasileiro enfim se livrando, mesmo que ainda tímida, cautelosamente, de seu eterno complexo de vira-lata. E o melhor: o condão dessa mudança não é um ufanismo tolo, produzido enganosamente pela propaganda oficial ou pela oficiosa, mas um orgulho e um reconhecimento que têm fundamentos, lastro concreto no melhor momento já vivido pelo Brasil em sua história. Está claro para o mundo que temos o que dizer, temos papel de destaque diante da necessidade de novos rumos da sociedade humana. Há uma demanda por ideias arejadas que, atualmente, pouquíssimos países como o Brasil parecem ser capazes de atender. Estamos “na moda” porque temos potencial, olhamos para dentro de nós e pela primeira vez em muito tempo somos capazes de ver qualidades, e não só defeitos.

O Brasil, enfim, representa uma lufada de propostas originais num mundo irrespirável, velho, arcaico. Quando Lula é incensado pelos maiores jornais do planeta é porque o mundo, ou o que resta de humanidade nele, enxerga nosso presidente, nossa nação e nosso povo como um balão de oxigênio para sua ordem moribunda: nós somos o que eles gostariam de ser se tivessem coragem, se por ganância não se tivessem deixado soterrar e prender sob dogmas decadentes, cedido a uma concepção de mundo que abandonou qualquer criatividade e abdicou da sua maior qualidade humana, a habilidade de pensar, planejar e construir seu próprio destino, para se acomodar no imediatismo do lucro puro e simples. O mundo já nos vê assim. Agora basta nos enxergarmos melhor e apostarmos no agora. Os principais analistas preveem que o Brasil será a quinta economia do mundo já na próxima década (para a Economist, 2014 é o ano fatídico), então não vamos desapontá-los. Vamos começar agora a realizar essa previsão, vamos trabalhar para superá-la.

 

Claro que todo esse cenário positivo não tem correspondência na imprensa nacional, justamente a que mais deveria apoiar o bom momento brasileiro. Manchetes tão elogiosas ao Brasil e a Lula tiveram pouco ou nenhum destaque na nossa imprensa, televisiva ou escrita. Não espere ver os mervais, jabores, sardembergs, hipolitos, leitões, mainardis e azevedos da mídia sendo realistas e deixando de tocar o bumbo do alarmismo pessimista. Para esses caras, não importa o que Lula faça, estará errado. A pauta deles é outra e não tem nada a ver com o bem do Brasil e dos brasileiros. Interesses financeiros obscuros ou simples preconceito (de classe ou regional) impedem que as empresas jornalísticas do Brasil repercutam o otimismo mundial sobre nosso país. Mas querem saber? a má vontade das empresas que comandam a comunicação nacional nem é novidade nem me desmotiva. Ninguém inteligente pode ter imaginado que seria fácil fazer um governo pela primeira vez progressivo, olhando para o povo, priorizando a concertação de nosso histórico e gigantesco problema de distribuição de renda, dentro de uma estrutura cristalizada em alguns séculos de políticas, instituições e todo um arcabouço jurídico pensado e construído para privilegiar as elites do país.

Quem não é capaz de conceber o inédito momento histórico do Brasil, quem acha que tudo é mais do mesmo, apenas não adquiriu ainda maturidade política. E isso não seria de estranhar se, durante décadas, perdemos o direito à participação e fomos afastados, autoritária e violentamente, das principais decisões de nosso país. Estamos recomeçando e o processo de aprendizado é longo e difícil, mas as conquistas são muitas e estão aí para quem quiser ver. E quem não quiser... bem, as coisas boas vão acontecer APESAR da torcida contra de meia dúzia de recalcados.

Por isso essa mensagem não é APENAS um desejo de Feliz Ano Novo. É a expressão de uma CONVICÇÃO: Pode acreditar, amigo. 2010 será um ano muito bom para o Brasil e os brasileiros.

Não perca o bonde. Aproveite e seja feliz. Salute!