Politica

 
 

2010: com certeza, um Feliz Ano Novo!

Amigos,

Eu vi a retrospectiva da Globo ontem e confesso que fiquei meio engulhado com o que vi. Na “Vênus platinada”, enquanto o desabamento do Rodoanel era consequência da sexta-feira 13 e a submersão de São Paulo era jogada na conta do aquecimento global, as numerosas conquistas de Lula eram pontuadas com interrogações.

Nada de novo. Mas como notou o próprio Lula recentemente, a mídia reage porque perde seu espaço de influência. Seus movimentos são corporativos, há muito não têm qualquer compromisso jornalístico. Os cães ladram, e a caravana passa.

E que caravana! Vai demorar um pouco ainda para os últimos moicanos anacrônicos e ressentidos daquele velho Brasil se darem conta da grandeza dos resultados consolidados nesse ano:

  • 32 milhões de brasileiros ascenderam de classe social;
  • 20 milhões deixaram a miséria absoluta;
  • Pela primeira vez um país da América Latina conquistou o direito de sediar uma Olimpíada, dando uma verdadeira e inédita lavada em países como Espanha, Japão e EUA. E teremos ainda a Copa do Mundo, de lambuja.

Haveria muitas outras conquistas a relatar, quase todas inéditas. A magnitude dos progressos implementados nos últimos sete anos é tal que, em artigo do dia 29 p.p. publicado no jornal Valor Econômico, o economista Marcelo Neri concluiu que, se simplesmente formos capazes de manter os resultados do Brasil de Lula nos próximos 5 anos, “é possível obter uma redução da pobreza à metade … de 16% da população para 8%… (O Brasil) já cumpriu a primeira meta do Milênio de fazer a pobreza cair à metade em metade do tempo. Isso significa cumpri-la de novo em cinco anos ao invés de 25 anos. A consequência desse movimento em termos das demais classes é o seguinte: queda da classe D de 18,28% (de 24,35% para 19,9%), aumento da classe C de 14,75% (de 49,2% para 56,48%) e aumento proporcional da classe AB de 50,3% (de 10,48% para 15,66% da população). Ou seja, o cenário auspicioso mostra que se a pobreza cai à metade, a classe AB dobra.”

O artigo completo pode ser lido aqui. Marcelo Neri sabe do que está falando. O chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV é um dos maiores especialistas brasileiros em políticas sociais e distribuição de renda (confira seu curriculo lates aqui). Eis aí um exercício para ajudar mesmo o mais resistente crítico de Lula a começar a entender porque o mundo reconhece nele um visionário, “o cara”, “o homem do ano”. Porque viramos uma página no Brasil. E porque a previsão do Financial Times de que Dilma será a sucessora de Lula parece tão plausível hoje.

Análises econômicas à parte, considero que nossa maior conquista recente é o estabelecimento do Brasil como protagonista importante das questões mundiais. O Brasil é finalmente um ator de peso a ser ouvido, não mais um coadjuvante que só fazia assentir com a cabeça, submissa e automaticamente, às ordens das grandes potências, a maior delas em particular. Nos jornais mais prestigiosos do planeta, Lula é visto hoje como um dos maiores players mundiais, como você pode conferir nas imagens que enfeitam esse post. “Homem do ano” para o Le Monde, o “Homem que assombra o mundo” para o El País, único latino-americano entre as “50 pessoas que moldaram a década” para o Financial Times, “superstar” para a imprensa alemã. E tudo isso é apenas a cereja do bolo. Ao longo deste 2009, foram centenas de artigos elogiosos a Lula e ao Brasil no que há de mais importante da imprensa mundial.

Conquista ainda melhor do que ter o presidente mais popular da história do planeta, é ver a auto-estima do brasileiro recuperada, é ver o brasileiro enfim se livrando, mesmo que ainda tímida, cautelosamente, de seu eterno complexo de vira-lata. E o melhor: o condão dessa mudança não é um ufanismo tolo, produzido enganosamente pela propaganda oficial ou pela oficiosa, mas um orgulho e um reconhecimento que têm fundamentos, lastro concreto no melhor momento já vivido pelo Brasil em sua história. Está claro para o mundo que temos o que dizer, temos papel de destaque diante da necessidade de novos rumos da sociedade humana. Há uma demanda por ideias arejadas que, atualmente, pouquíssimos países como o Brasil parecem ser capazes de atender. Estamos “na moda” porque temos potencial, olhamos para dentro de nós e pela primeira vez em muito tempo somos capazes de ver qualidades, e não só defeitos.

O Brasil, enfim, representa uma lufada de propostas originais num mundo irrespirável, velho, arcaico. Quando Lula é incensado pelos maiores jornais do planeta é porque o mundo, ou o que resta de humanidade nele, enxerga nosso presidente, nossa nação e nosso povo como um balão de oxigênio para sua ordem moribunda: nós somos o que eles gostariam de ser se tivessem coragem, se por ganância não se tivessem deixado soterrar e prender sob dogmas decadentes, cedido a uma concepção de mundo que abandonou qualquer criatividade e abdicou da sua maior qualidade humana, a habilidade de pensar, planejar e construir seu próprio destino, para se acomodar no imediatismo do lucro puro e simples. O mundo já nos vê assim. Agora basta nos enxergarmos melhor e apostarmos no agora. Os principais analistas preveem que o Brasil será a quinta economia do mundo já na próxima década (para a Economist, 2014 é o ano fatídico), então não vamos desapontá-los. Vamos começar agora a realizar essa previsão, vamos trabalhar para superá-la.

 

Claro que todo esse cenário positivo não tem correspondência na imprensa nacional, justamente a que mais deveria apoiar o bom momento brasileiro. Manchetes tão elogiosas ao Brasil e a Lula tiveram pouco ou nenhum destaque na nossa imprensa, televisiva ou escrita. Não espere ver os mervais, jabores, sardembergs, hipolitos, leitões, mainardis e azevedos da mídia sendo realistas e deixando de tocar o bumbo do alarmismo pessimista. Para esses caras, não importa o que Lula faça, estará errado. A pauta deles é outra e não tem nada a ver com o bem do Brasil e dos brasileiros. Interesses financeiros obscuros ou simples preconceito (de classe ou regional) impedem que as empresas jornalísticas do Brasil repercutam o otimismo mundial sobre nosso país. Mas querem saber? a má vontade das empresas que comandam a comunicação nacional nem é novidade nem me desmotiva. Ninguém inteligente pode ter imaginado que seria fácil fazer um governo pela primeira vez progressivo, olhando para o povo, priorizando a concertação de nosso histórico e gigantesco problema de distribuição de renda, dentro de uma estrutura cristalizada em alguns séculos de políticas, instituições e todo um arcabouço jurídico pensado e construído para privilegiar as elites do país.

Quem não é capaz de conceber o inédito momento histórico do Brasil, quem acha que tudo é mais do mesmo, apenas não adquiriu ainda maturidade política. E isso não seria de estranhar se, durante décadas, perdemos o direito à participação e fomos afastados, autoritária e violentamente, das principais decisões de nosso país. Estamos recomeçando e o processo de aprendizado é longo e difícil, mas as conquistas são muitas e estão aí para quem quiser ver. E quem não quiser... bem, as coisas boas vão acontecer APESAR da torcida contra de meia dúzia de recalcados.

Por isso essa mensagem não é APENAS um desejo de Feliz Ano Novo. É a expressão de uma CONVICÇÃO: Pode acreditar, amigo. 2010 será um ano muito bom para o Brasil e os brasileiros.

Não perca o bonde. Aproveite e seja feliz. Salute!

 
 

Lulismo: Dois mestres respondem a FHC

A Folha publicou, no dia 11, duas respostas primorosas ao artigo de FHC. De dois mestres: Cândido Mendes e Delfim Neto.

Para onde não vamos

CANDIDO MENDES

O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos

O ARTIGO do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ("Para onde vamos") revigora todo o debate político nacional, tirando as oposições de sua presente e contundente mediocridade. Amplo no propósito e na riqueza polêmica, parte da afirmação de que tudo que é bom no atual governo já veio de antes e que o mal de agora apenas começa.
Há, sim, confronto radical entre os dois regimes, ao contrário do que diz, e os tucanos abriram o país à globalização privatista hegemônica, enquanto o petismo vai hoje, com a melhoria social do país, à recuperação do poder do Estado, numa efetiva economia de desenvolvimento sustentável.
A legislação do petróleo, em projeto que ora assaca ao governo o ex-presidente, quer corrigir os efeitos da emenda constitucional de 1995, que desfigurou o monopólio do petróleo da Carta do dr. Ulysses num regime de concessão que, inclusive, entrega aos exploradores do subsolo nacional "a propriedade" do óleo extraído.
A partilha, sim, é o novo instrumento, nada "mal-ajambrado", em que volta, por inteiro, ao Estado o direito aos proventos dessa extração, ampliando sua destinação social imediata. Diga-o, agora, a Noruega, o país mais desenvolvido e democrático do mundo, que, exatamente, adotou esse regime nas suas riquezas do mar do Norte, deixando as concessões no cemitério das ideologias liberais capitalistas de há uma vintena.
O governo Lula reassegurou a presença do Estado para a efetiva mudança da infraestrutura, que pede o desenvolvimento, atrasado durante o progressismo liberal do PSDB, como mostravam os primeiros resultados do PAC, a contemplar entre os seus principais beneficiários, inclusive, o governo de São Paulo.
O país não frui ainda, claro, o programa Minha Casa, Minha Vida, mas sabe que o Bolsa Família colocou a população de uma Colômbia na nossa economia de mercado.
Claro, também enfrentamos o risco da absorção corporativa sindical no controle dos recursos públicos.
Mas essa é etapa adiante da página que se virou de vez, ou seja, do retorno ao controle pelo status quo, sob a ideologia social-democrata, de autolimitação do poder do Estado ou da crença dos progressismos espontâneos, sem dor para o país instalado, como professa a oposição a Lula.
O embaraço do tucanato em reconhecer o "entreguismo" dos controles públicos durante o seu governo é o mesmo que o alvoroça a assimilar o governo Lula ao "populismo autoritário peronista".
São comparações regressivas, que não se dão conta da experiência única da chegada do "outro país" ao poder, contra o desespero da violência dos "sem-nada", das Farc colombianas ou do Sendero Luminoso, no Peru, e assentou, de vez, uma maioria nacional, consciente de suas opções.
Realizar-se ou não o que seja, hoje, na sua originalidade, o "povo de Lula", é a diferença entre o Brasil "bem" e o país da mudança.
O petismo não é o justicialismo peronista, e hoje a nossa consciência coletiva supera o próprio partido, na solidez do que não quer para o futuro.
Essa nossa adesão ao novo, aliás, foi adiante, até, da própria legenda e de suas siderações pelas vantagens do poder, nessa matriz de um evento político que torna as futuras eleições tão distintas de uma escolha da hora entre situacionismos cansados e oposições gulosas. E o Brasil potência, tão profligado pelo ex-presidente, é a configuração emergente desse país que sabe que não volta ao berço esplêndido da nação dos ricos.
Mais que a denúncia dos "pequenos assassinatos" a minar "devagarzinho" o espírito democrático, o que entra pelos olhos do Brasil na conduta de Lula é a determinação visceral do governo de não ceder a um terceiro mandato, avassaladoramente acolhível, se assim quisesse o presidente, por emenda constitucional, tal como o governo tucano desfigurou o monopólio do petróleo.
No inverso de Chávez, Lula, no seu gesto, reafirma o essencial da democracia, que é o cumprimento das regras do jogo, no que diga a Carta, por maior que seja o poder da hora de quem está no palácio.
O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos, tanto quanto a nação de Lula sabe que, no Brasil, é "o povo como povo" intrinsecamente melhor que as suas "elites como elites".
CANDIDO MENDES , 81, membro da Academia Brasileira de Letras e da Comissão de Justiça e Paz, é presidente do "senior Board" do Conselho Internacional de Ciências Sociais da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e secretário-geral da Academia da Latinidade.

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Lulismo?

ANTONIO DELFIM NETTO

SURPREENDIDA COM a recuperação da economia brasileira e o imenso protagonismo de Lula no cenário internacional, cuja visibilidade interna é a aprovação de sua administração por três de cada quatro brasileiros, a oposição parece presa a um quadro de catalepsia.
Isso certamente não ajuda a continuidade do progresso institucional que conseguimos desde a Constituição de 1988 e que começa a nos distinguir claramente de alguns de nossos parceiros da América Latina. Estes insistem em repetir velhos erros do passado. Tentam curto-circuitos que a história mostrou levar a incêndios, mas não ao crescimento econômico sustentável.
A tragédia da discussão é que, em lugar de um programa que reforce as linhas corretas do governo Lula e leve à superação dos problemas que ele deixará, propõe-se retroagir ao caminho já percorrido. Não deixa de ser patético continuar a confundir um necessário Estado indutor forte com a fantasia de que o "mercado", por si mesmo, produz o "equilíbrio" mais conveniente para a sociedade.
É claramente possível criticar o "lulismo" por sua simpatia sindical, por seu aparelhamento e por muitos motivos. Mas qual governo não "aparelha" quando a administração pública não é profissionalizada e o número de "cargos de confiança" (sem vinculação à competência) é gigantesco?
O "aparelhamento" do Estado tem sido permanente e ligado não apenas a problemas geográficos, partidários ou ideológicos. Quem conhece Brasília sabe que se trata de um fenômeno "geológico". Cada presidente levou para lá e fixou (às vezes com duvidosos "concursos seletivos") um estrato de seus conterrâneos. Um corte do terreno mostra as "camadas" (os mineiros, os maranhenses, os alagoanos, os paulistas, os sindicalistas...) sobre as quais cada governo acrescentou a sua, respeitando cuidadosamente as anteriores...
É preciso reconhecer que a rápida recuperação se deve a pelo menos dois pontos que dependeram do próprio comportamento de Lula. Primeiro, com sua inteligência e perspicácia, rejeitou o terceiro mandato, que destruiria toda a obra institucional constituída em 1988; segundo, com sua intuição, assumiu o risco de minimizar a crise, afastando o "pânico", e reforçou as políticas públicas que deram sustentação ao consumo interno.
Isso não é pouca coisa, e é por isso que ele tem o apoio de 3/4 da população!
A eleição de 2010 não pode se fazer em torno das pobres alternativas de, ou voltar ao passado, ou dar continuidade a Lula. A discussão precisa incorporar os horizontes do século 21 e a superação dos problemas que certamente restarão do seu governo.

 
 

O filho de FHC e o silêncio dos jornalistas

Essa é uma história que fala sobre o caráter, e sobre a falta dele.

Há 20 anos Lula disputava uma eleição parelha com Collor, um desconhecido governador de Alagoas, que meses antes havia sido ungido pela mídia e pelas elites para enfrentar o "Sapo barbudo", com sua varinha mágica (que depois se revelou um engodo) de "Caçador de Marajás". Era só o começo. Houve todo tipo de sujeira naquela eleição: O presidente da FIESP chantageou o povo ameaçando que os empresários deixariam o país; a edição do debate da Globo foi flagrantemente manipulado no noticiário da emissora; os sequestradores do empresário Abílio Diniz foram obrigados a vestir camisetas do PT na aprsentação para a imprensa. Mas o golpe mais sujo e de maior impacto veio mesmo na véspera das eleições. Uma ex-namorada de Lula, Míriam Cordeiro, veio à TV dizer uma série de calúnias contra Lula. Relembre esse episódio triste da nossa política e da nossa imprensa abaixo:

Vale lembrar que Lula já estava viúvo quando namorou Míriam, e não detinha cargo eletivo. Assumiu Lurian, a filha desse relacionamento fortuito, assim que ela nasceu. Sempre lhe foi próximo e a sustentou. Nada disso interessou à mídia, que amplificou as calúnias de Míriam sem qualquer investigação ou contraditório. Importava apenas tirar Lula do páreo, ganhar a eleição. O ponta de lança de Roberto Marinho, o jornal O Globo, publicou em 14 de dezembro de 1989 o editorial entitulado "O direito de saber", defendendo o indefensável: a exploração inescrupulosa de dramas familiares dos candidatos, como sempre "em nome da democracia". Pego de surpresa, Lula se recusou a responder no mesmo tom e se calou sobre as calúnias da ex-namorada, para preservar a filha. E aos 45 do 2º tempo, perdeu as eleições.

É interessante ressaltar que o adversário de Lula de então, Fernando Collor, tinha ele mesmo um filho fora do casamento. Lula e o PT sempre se recusaram a usar a informação.

Logo depois Lula teria como adversário na política um ex-companheiro da luta democrática, Fernando Henrique Cardoso. Este guardava zelosamente, em segredo, outro drama familiar: DURANTE seu mandato de senador e DURANTE seu casamento com Dona Ruth Cardoso, FHC teve um relacionamento com outra Mírian, Dutra, uma jornalista da Globo. Desse relacionamento nasceu um filho, Tomás. FHC não o reconheceu e o escondeu, para preservar sua carreira política. TODO o meio jornalístico sabia dessa relação e de seu fruto. NADA foi dito. Em 18 anos, apenas um veículo alternativo, a revista Caros Amigos, publicou reportagem sobre o assunto em 2000. A grande imprensa fez um pacto de silêncio. Não se sabe a que custo. Por 18 anos (dezoito anos!), ninguém se interessou em contar a história. Nem O Globo que, em 89, contra Lula, defendera tão ardorosamente "o Direito de Saber". Pelo contrário, foi a Globo que ajudou a esconder Mírian e seu filho na Europa, mantendo-a como correspondente de luxo, sem trabalhar. A que custo? Por 18 anos, até hoje, com a nota de Mônica Bérgamo na Folha. Que não se sabe ainda a que veio. Com certeza, serve a algum propósito essa "notícia", claramente autorizada, depois de 18 anos. Além de tudo, uma nota escrita de modo a fazer a assepsia do ato vil de FHC. O pai que escondeu o filho vira praticamente um herói com a matéria, decidindo assumi-lo. Dezoito anos depois.

Talvez você pensasse que a classe jornalística poderia ter revisto suas atitudes a partir do episódio Lula, e por isso estivesse tratando FHC com a dignidade que, em 89, fora negada ao atual presidente. Mas infelizmente, a exploração feita, recentemente, do filho de Renan Calheiros fora do casamento, com outra jornalista, não deixa dúvida que a postura da mídia apenas teve uma exceção: Fernando Henrique Cardoso.

Lula teria FHC como adversário desde as eleições de 1994. Como todo jornalista ele sabia de Tomás, mas jamais autorizou a utilização político-eleitoral do episódio.

Desce o pano. Pulamos para 1998, bastidores da privatização das teles:
“A imprensa está muito favorável, com editoriais”, diz Mendonça de Barros.
“Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira. “Estão exagerando, até.”

Engraçado, eu me lembro de quantas vezes me tomaram como mentiroso, ou doido, porque eu falava do filho que FHC não assumiu. Diziam: "Se é verdade, porque não saiu na Folha, na Veja ou no Jornal Nacional?" E eu pergunto agora: quantas verdades não vimos, não vemos e não veremos na Folha, na Veja ou no Jornal Nacional?

Para terminar essa reflexão necessária, anexo abaixo um vídeo com as campanhas de 1989, alguns personagens ainda estão por aí, desempenhando papéis diversos. Às vésperas das eleições de 2010, pense no quanto está em jogo, em quantas vezes você foi enganado pelas aparências, por palavras de ordem duras e moralistas, que papel desempenhou naquela ocasião e que papel pretende desempenhar daqui a um ano, diante da urna.

P.S.: Tomei emprestado aqui vários links do site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, que é, a meu ver, quem tem feito a cobertura mais completa do assunto.

 
 

Caetano sobre Lula: nem Dona Canô aprova

Caetano é de leão, como eu, mas continua em seu inferno astral. Tomou outro tombo, tentou se retratar dizendo que Lula é "brilhante", mas nem assim se livrou das críticas. E dessa vez não foi só o povão e a blogosfera, mas sua própria família. Caê não foi perdoado nem por sua própria mãe. Deu no Blog do Marrom, do Correio da Bahia:

14/11/2009 17:58:00

Família Velloso pede desculpas ao Presidente Lula

Rodrigo Velloso, irmão de Caetano Veloso (foto) e Secretário Municipal de Cultura de Santo Amaro fez questão de esclarecer, através de um pedido de desculpas, que a família Velloso não tem nada a ver com a declaração do mano famoso. Eis o teor do documento:

'Venho a público esclarecer que a recente declaração, feita pelo cantor e compositor Caetano Veloso sobre o Presidente Lula, não expressa, em nenhuma hipótese, a opinião da família Velloso. Sua matriarca, Dona Canô, por mei intermédio, deseja se dirigir ao Governador Jaques Wagner, a todos os brasileiros e, principalmente, ao Presidente da República, com um sincero pedido de desculpas'.

Rodrigo Velloso

Mais D. Canô:

15/11/2009 às 20:37

Dona Canô pedirá desculpas pelo filho

Rita Conrado A TARDE
Dona Canô pretende ligar para o presidente: “Eu quero muito bem a Lula”
Dona Canô vai telefonar nesta segunda-feira, 16, para o presidente Lula para dizer que não concorda com as declarações do filho famoso, Caetano Veloso,  que chamou Lula de analfabeto, grosseiro e cafona numa entrevista (clique aqui para acessar) ao jornal O Estado de S. Paulo, provocando reações – positivas e negativas –  em todo o País.

Ela falará ao presidente depois que Rodrigo Velloso, irmão de Caetano, fez um pedido de desculpas, sexta-feira, num evento na Praça da Purificação, em Santo Amaro, em nome da família.

“Se ele me atender, eu falo com ele”, disse D. Canô, que ainda não sabe o que dizer. “Vou falar o que estiver sentindo na hora”, declarou a mãe de Caetano, de 102 anos. Mas a matriarca da família Velloso tem dúvidas sobre se Lula poderá atendê-la. “Tentei falar com ele no dia do seu aniversário, mas não consegui. Ele é muito ocupado”, assinalou D. Canô, que, apesar de não concordar com Caetano, disse que não será ela quem lhe puxará as orelhas.

Não merece - “Ele mesmo puxa, pois sabe que o presidente não merece isso”, assinalou.  A mãe de Caetano falou do carinho que nutre pelo presidente. “Eu quero muito bem a Lula”, afirmou. “Foi uma ofensa sem necessidade”, disse. “Caetano não tinha que dizer aquilo. Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar confusão”, observou D. Canô, que não se mostrou preocupada com uma possível insatisfação de Caetano às suas declarações, se desculpando, ou às de seu irmão, Rodrigo.

“Ele está doido? Ele tem de aceitar”, disse, ressaltando que também não fará uma reprimenda ao filho. “Ele também não merece. É o jeito dele”, contemporizou. O irmão de Caetano, Rodrigo Velloso, secretário de Cultura de Santo Amaro, também atribuiu ao “jeito” de Caetano as declarações sobre o presidente, que achou absurdas.

Maluquice - “Caetano tem essa mania de falar as coisas sem pensar e aí diz coisas assim. Falou de maneira preconceituosa. Achei uma maluquice. Fiquei revoltado”, afirmou Rodrigo, ao contar a forma inesperada como surgiu o pedido de desculpas. “Eu participava de um evento em Santo Amaro, sexta-feira, e fui convidado a falar, como secretário de Cultura”, disse.  “Ao subir no palanque, a primeira coisa que me ocorreu, vendo ali o secretário Rui Costa (de Relações Institucionais do Estado), foi pedir a ele que transmitisse ao governador Jaques Wagner e ao presidente Lula o pedido de desculpas em nome da minha mãe e da nossa família”, afirmou Rodrigo. “Achei decente fazer isso”, assinalou.

Segundo Rodrigo, as declarações de Caetano foram feitas dois dias após o presidente Lula ter atendido a um pedido de D. Canô. “O presidente solicitou ao secretário da Saúde que ajude à  Santa Casa de Misericórdia, que está prestes a fechar”, contou Rodrigo, que desconhece as intenções de Caetano com  tais declarações. “Quem é que sabe? Pelo que conheço dele, já até esqueceu o que falou”, disse o irmão.

Além dos recados muito bonitinhos de D. Canô, uma das respostas mais contundentes que Caetano teve foi a de Zé Celso, homem do teatro brasileiro. É também uma das mais belas definições de Lula feitas recentemente:

Terça-Feira, 10 de Novembro de 2009

Tropicália, sob o signo de escorpião

José Celso Martinez Corrêa

No mesmo dia em que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no Caderno 2 do Estadão, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na seção Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da cultura, como estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.  

Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto para Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a "res pública". Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a Vagar - Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. "Amor Ordem e Progresso." O amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.

Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Essa "estasia", Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que exista!

Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

"Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor, dizem mió
Para telha, dizem teia
Para telhado, dizem teiado
E vão fazendo telhado"

SamPã, 6 de novembro, sob o signo de escorpião, sexo da cabeça aos pés, minha Lua de Ariano, evoéros!

 
 

A última pesquisa e o apagão da mídia

Nada que surpreenda, claro. Mas a mídia fez um auê do blecaute ocorrido semana passada, muito mais que naquele ocorrido em 1999, sob FHC. O mais importante é destacar que, apesar das tentativas da imprensa em convencer do contrário, o blecaute de agora, tenha as causas que tiver (a ONS já anunciou que se deveu a três raios simultâneos numa mesma linha de transmissão), não tem nada a ver com a falta de planejamento e, consequentemente, geração de energia que acarretou o apagão de FHC em 2001 e o racionamento nos dois últimos anos de seu governo. Claro que a imprensa não se conforma e tenta, a todo custo, relacionar as duas coisas. No vídeo abaixo, resposta de Lula a mais uma tentativa de "politicagem jornalística", dessa vez de uma jornalista da Globonews:

Pouca gente sabe, mas a repercussão incessante do "apagão" de Lula teve função dupla: de um lado, colocar o governo Lula (e a candidatura de Dilma, por extensão) em pé de igualdade com o de FHC, na área energética. O que é falso. De outro lado, a ocupação diuturna do noticiário com as causas e repercussões do blecaute permitiu esconder a notícia mais importante do período, que não seria omitida se o resultado fosse inverso: Dilma subiu 4 pontos e Serra caiu 4, na última pesquisa Vox Populi. Entendeu agora porque você não viu o resultado dessa pesquisa destacado em nenhum telejornal? Confira matéria do Estadão e delicie-se com o patético "apesar", que não poderia faltar no subtítulo (a diferença entre as rejeições de um e outro é de gigantesco 1%):

terça-feira, 10 de novembro de 2009, 20:57

Dilma sobe 4 pontos e Serra perde 4 em novo Vox Populi
Apesar do crescimento em relação a outubro, a ministra petista tem a maior rejeição; tucano ainda lidera

André Mascarenhas, do estadao.com.br
SÃO PAULO - Pesquisa eleitoral Vox Populi/Band divulgada pelo Jornal da Band nesta terça-feira, 10, mostra a recuperação da pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil (PT), Dilma Rousseff, que já tem 19% das intenções de voto no cenário com o governador de São Paulo, o tucano José Serra. No último levantamento, em outubro, a pré-candidata petista tinha 15% dos votos. 

A enquete também mostra a retração das intenções de voto em Serra, que continua em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto. No mês passado, o tucano tinha 40%. No mesmo cenário, o deputado federal Ciro Gomes, do PSB, aparece em terceiro, com 13% das intenções de voto. Heloisa Helena, do PSOL, tem 6%, e a senadora Marina Silva, do PV, 3%.

A margem de erro é de 2,4%. Dois mil eleitores foram ouvidos em 170 municípios de todos os Estados, menos Acre, Roraima e Rondônia.

Num segundo cenário, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, como candidato tucano, Dilma aparece em primeiro lugar, com 20% dos votos. Nessa lista, a ministra está tecnicamente empatada com Ciro Gomes, que tem 19%, e Aécio, com 18%. Heloisa Helena aparece como 8% das intenções, e Marina com 4%.

A pesquisa também avalia o nível de rejeição dos pré-candidatos. Nesse quesito, Aécio é o que tem a menor rejeição, ou seja, apenas 5% dos eleitores disseram que não votariam de jeito nenhum no tucano. Ciro vem em segundo, com 8% de rejeição. Heloísa Helena foi citada por 10% dos entrevistados. Marina e Serra aparecem com 11%. Dilma Roussef tem a maior rejeição: 12%.

O instituto também testou o nível de decisão dos eleitores; 33% já decidiram em quem votar. Por fim, o Vox Populi mediu ainda o índice de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que subiu de 65% em outubro para 68% em novembro.

Apagão do ROUBANEL

Para azar do maior partido de oposição do Brasil (não, eu não estou me referindo ao PSDB, mas à grande imprensa), Deus é justo e logo após o blecaute houve a queda das vigas, de 45m e 85 TONELADAS, do ROUBANEL de Serra. Por milagre, ninguém morreu. Um funcionário da Defesa Civil de São Paulo levantou a hipótese de que estão usando "cimento verde" na fabricação das vigas (o cimento não seca direito e fica mole por dentro). Pressa para inaugurar até as eleições? Confira o vídeo do jornalismo da Record, abaixo. Nenhuma outra emissora, dentre as grandes, deu.

Em seu blog, Luís Nassif, longe de fazer qualquer pré-julgamento político-eleitoral, fez sua obrigação de jornalista e, ao contrário da grande imprensa, lembrou que o ROUBANEL vinha sendo criticado em sucessivas fiscalizações, uma delas publicada no Jornal da Tarde:

Sábado, 14 novembro de 2009

Auditoria do TCU apontou alteração no projeto da obra

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), entre maio e julho de 2008, apontou alterações no projeto básico da obra. Para reduzir os custos, as empresas contratadas alteraram métodos construtivos, com redução no número de vigas usadas em pontes, substituição de estacas metálicas por pré-moldadas e troca de areia por brita em muros de contenção. “Assim, usaram menos material de construção, mas receberam o mesmo dinheiro”, explica o relatório do Tribunal.

O documento do TCU aponta as irregularidades como “graves” e passíveis de resultar numa “combinação altamente danosa às finanças” da União e do Estado. “O desdobramento do processo pode gerar repactuação contratual, anulação do contrato e ressarcimento de valores.”

Integra o consórcio responsável pelo lote 5 a empresa Carioca. Trata-se da mesma empresa responsável pela obra do viaduto do Fura-Fila que caiu na Vila Prudente, em 1º de abril de 2008. O lote 5, com 35 pontes e viadutos, tem 18,6 km de extensão e representa 19,7% da obra.

No orçamento do trecho sul, mais de R$ 4 bilhões - sendo R$ 1,2 bilhão de recursos liberados pelo governo federal - estão incluídas a construção da rodovia, desapropriações e compensações ambientais.

O trecho leste do Rodoanel está em fase de discussões e a parte norte será a última a ser construída. Quando estiver toda finalizada, a rodovia interligará dez rodovias que servem a capital.

E essa é fresquinha, saiu hoje:

15/11/2009 - 08h33
Construtoras não cumpriram o contrato em obra do Rodoanel
da Folha Online

Auditoria realizada em 2007 e 2008 pelo TCU (Tribunal de Contas da União) constatou que as empreiteiras responsáveis pelo Rodoanel mudaram o material descrito em contrato e optaram por vigas pré-moldadas a fim de baratear o custo dos viadutos. É o que revela reportagem da Folha deste domingo (disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Nesta sexta-feira (13), três vigas da obra caíram, atingiram veículos e deixaram três pessoas feridas.

O trecho sul --onde as vigas despencaram sobre carros na noite de anteontem-- está sob investigação do tribunal, que já listou 13 irregularidades no percurso de 61 quilômetros.

O secretário de Transportes de São Paulo, Mauro Arce, negou que estejam sendo utilizados materiais mais baratos. Segundo ele, algumas falhas apontadas pelo TCU foram resolvidas com um TAC (termo de ajustamento de conduta). Ele não nega, no entanto, que possam ter ocorrido problemas com o material utilizado na viga que causou o acidente.

Os contratos de obra de todo o Rodoanel (sem contar outros gastos, como desapropriações), que somam R$ 3,6 bilhões, são investigados pelo TCU desde 2003.

Acidente

Apesar de descartar a hipótese de falhas no projeto, o diretor de engenharia da Dersa e gestor responsável pela construção do Rodoanel, Paulo Vieira de Souza, admitiu que possa ter havido problemas na execução da obra.

As vigas, que pesam 85 toneladas e têm 40 metros de comprimento, haviam sido instaladas no começo desta semana. Por volta das 21h15, elas despencaram de uma altura aproximada de 20 metros e atingiram um caminhão e dois carros --um deles ficou totalmente destruído.

É o famoso choque de gestão tucano!

 
 

O que Hitler tem a ver com a UNIBAN?

Saiba assistindo ao divertidíssimo vídeo abaixo:

Pra quem não sabe, o Youtube está cheio de montagens sobre esse trecho do filme A QUEDA (quem ainda não teve a aportunidade, assista. Senão pelo filme, pela atuação magnífica do ator principal, Bruno Ganz, que pode ser percebida mesmo nos vídeos de sacanagem). Uma outra muito boa é a que faz alusão a José Serra nas eleições de 2010. Hilário:

 
 

O imperador Sarney e a oposição de ocasião

Os fatos:

  • Na onda do neo-"Fora Sarney", os jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano (Caros Amigos) lançaram o livro "Honoráveis Bandidos", que tem na capa a efígie do imperador do Maranhão (confira abaixo);
  • O livro foi boicotado pelas principais livrarias do Maranhão, sem justificativa;
  • A empresa responsável pela divulgação em outdoors devolveu o dinheiro e raspou as peças já colocadas, também sem maiores explicações;
  • Sem espaço comercial, os jornalistas aceitaram a oferta do Sindicato dos Bancários local, para lançar o livro em sua sede na capital;
  • Durante o evento, militantes da juventude do PMDB invadiram o salão, provocando tumulto e agredindo alguns dos presentes.

Claro, essa baixaria patrocinada pelo clã Sarney no Maranhão não foi repercutida nem pela atual oposição nem pela grande imprensa. Eles, que sempre apoiaram o bigodudo e dele se beneficiaram, patrocinaram recentemente uma campanha oportunista contra Sarney. Deixaram o senador ser de novo o presidente do Congresso, para depois ensaiar uma campanha das mais hipócritas na tentativa de apeá-lo da presidência, com o único objetivo de lá colocar o vice sem voto, senador Marconi Perillo, do PSDB, e desestabilizar o governo Lula. Ao que Lula, corretamente, reagiu, o que não foi entendido infelizmente por muitos. O jogo político é complexo, e o brasileiro de um modo geral é desinteressado de compreender seus meandros. Mas aos poucos, com muita luta de alguns abnegados, tá melhorando. Eu, que desde sempre faço campanha para banir Sarney da política, reitero o Fora Sarney! Mas não da presidência do Congresso, agora, em medida casuística e partidária-eleitoral. Mas para sempre, da vida pública nacional.

 
 

FHC: "Narciso acha feio o que não é espelho"

A exemplo de Caetano, Lula deu uma resposta à altura ao artigo golpista do invejoso FHC, essa semana, num Congresso do PCdoB. Foi a resposta que todos que o apoiamos tínhamos engasgada na garganta há muito tempo...

 
 

18,5 MILHÕES ascendem de classe em apenas 3 anos de Lula

Adiantando porque Dilma vai ser eleita em 2010...

O Globo, 5/11/2009:

Pesquisa do Ipea aponta que 18,5 milhões de brasileiros ascenderam de classe social em três anos

Lino Rodrigues

SÃO PAULO - Em apenas três anos (entre 2005 e 2008), 18,5 milhões de brasileiros registraram elevação real em seus rendimentos individuais superior ao crescimento da renda per capita e à inflação, passando aos níveis mais altos de renda na pirâmide social.

A avaliação é de uma análise realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2008. Pelos dados divulgados pelo Ipea, 7 milhões de pessoas ascenderam à classe média e 11,5 milhões ingressaram na alta.

O documento do Ipea, que considera como classe superior de renda o valor acima de R$ 465 mensais, aponta que a ascensão aos níveis mais altos de renda se deu com mais intensidade nas regiões Sudeste e Nordeste, e atingiu uma parcela maior de indivíduos negros e do sexo feminino.

- Já temos uma elite negra no país, que se beneficiou desse crescimento na renda - disse o presidente do Ipea, Márcio Pochman.

A pesquisa apontou ainda que houve uma redução da participação do segmento de renda mais baixa da população entre os anos de 1995 e 2008. Em 1997, as pessoas que menos ganhavam representavam 34% da população. Em 2008, esta fatia caiu para 26%, o menor nível desde 1995. Já a classe média, que respondia 21,8%, cresceu para 37,4%, considerando a mesma base de comparação.

Recomendo também outra notícia de hoje... Lula recebe prêmio em Londres e homenageia povo brasileiro

Destaco o trecho a seguir, uma declaração de Lorde Robertson, presidente da Chatham House, algo que uma minoria intransigente, na imprensa e na opinião pública nacionais, precisa ouvir e refletir: "Durante muito tempo, ao mesmo tempo em que admirávamos o Brasil nos frustrávamos ao ver que os líderes anteriores ao senhor nunca desperdiçavam a oportunidade de desperdiçar a oportunidade".

P.S.: Lembrando aos cri-cris que os três anos citados aí em cima incluem a maior crise econômica mundial desde 1929...

 
 

Juros: Mais uma vitória do governo Lula

Da InfoMoney: Juro ao consumidor cai para 43,6% a.a. em setembro, o menor desde 1994
É sempre a mesma coisa: quando Lula fez o certo, trocou o presidente do BB, peitou os bancos privados e mandou os públicos baixarem os juros, os "cavaleiros do apocalipse" de sempre, da nossa "grande imprensa", meteram o pau. Agora, nem um pedido de desculpas. Foi assim com a crise, com a dívida pública, com o PIB...

 
 

Bolsa-família: Contra o preconceito, informação!

Duas matérias didáticas exaltando a relevância do programa Bolsa-família... e ainda tem gente AQUI no Brasil falando mal...

Agência Carta Maior, 17/10/2009

Brasil é apontado como exemplo no combate à fome no mundo

No Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, a FAO e a Action Aid divulgaram estudos sobre a situação da fome no mundo. As duas organizações destacaram a qualidade das políticas implementadas pelo governo brasileiro no combate à fome e à pobreza. Em 2009, segundo a FAO, mais de 1 bilhão de pessoas vivem em situação de subnutrição. Situação piorou depois da crise econômica mundial. A produção mundial de alimentos deve aumentar em 70% nos próximos 40 anos para suprir a demanda crescente, adverte a FAO.

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Estadão, 16/10/2009

Expansão do Bolsa-Família elevou PIB em R$ 43,1 bilhões, indica estudo

Economista e aluno do Insper pesquisaram efeitos do projeto na economia dos municípios entre 2004 e 2006

Fernando Dantas, RIO

A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões.

Essas estimativas estão num estudo recém concluído dos economistas Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo, e de Paulo Henrique Landim Junior, aluno da graduação do Insper.

O objetivo do trabalho era investigar os efeitos do Bolsa-Família - que hoje atinge 12,9 milhões de famílias - na economia dos municípios. Os pesquisadores investigaram 5,5 mil municípios nos anos de 2004, 2005 e 2006. Os dados utilizados foram o PIB, a população e a arrecadação de tributos nos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e os desembolsos do Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

A partir dessa base, Menezes e Landim empregaram métodos estatísticos para calcular o impacto na economia municipal de aumentos dos repasses do programa per capita - os repasses divididos pela população do município (e não pelo número de beneficiários). A conclusão foi de que um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa-Família leva a uma ampliação de 0,6% no PIB municipal no ano em que ocorre a expansão e no seguinte.

"O impacto pode parecer pequeno, mas quando analisamos os efeitos levando em conta os números absolutos do PIB, ele é bem grande", diz Menezes.

A magnitude do efeito do Bolsa-Família no PIB ficou a clara quando os pesquisadores fizeram o que chamaram de "análise de custo-benefício", tomando os anos de 2005 e 2006. Entre os dois períodos, os repasses do programa subiram de R$ 5,7 bilhões para R$ 7,5 bilhões, num salto de R$ 1,8 bilhão, ou de 30,34%. O valor médio do repasse em 2006 foi de R$ 61,97 por família, e o porcentual da população beneficiada foi de 36,4%.

Considerando-se a relação de 0,6% a mais de PIB para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o aumento de 30,34% em 2006 significa um ganho no conjunto dos municípios - isto é, do País - de 1,82%. Aplicado ao PIB de 2006 de R$ 2,37 trilhões, chega-se ao PIB adicional de R$ 43,1 bilhões. Dessa forma, para cada R$ 0,04 de Bolsa-Família a mais, o ganho de PIB foi de R$ 1.

Menezes fez cálculos adicionais, levando em conta que a distribuição do aumento do Bolsa-Família de 2005 para 2006 não foi homogênea entre todos os municípios brasileiros, e obteve resultados muito parecidos.

Ele diz que aquele efeito explica-se pelo chamado "multiplicador keynesiano", que faz com que um gasto adicional circule pela economia - de quem paga para quem recebe - várias vezes, aumentando a demanda bem mais do que o seu valor inicial.

A análise dos dois economistas permitiu avaliar também o impacto dos aumentos de repasses do Bolsa-Família nos diferentes setores da economia municipal. O maior efeito foi encontrado na indústria - para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o PIB industrial aumenta 0,81%. Nos serviços, o impacto foi de 0,19%, enquanto na agricultura não foi registrado efeito significativo.

"É possível que a indústria tenha sido mais afetada por causa do aumento de consumo de energia elétrica, água, esgoto e gás das famílias pobres e extremamente pobres que recebem Bolsa-Família", diz Menezes.

No caso da arrecadação municipal, o estudo indica que um aumento de 10% nos repasses leva a um aumento médio de 1,36%. Levando-se em conta o total de impostos gerados nos municípios em 2006, de R$ 304,7 bilhões, concluiu-se que o aumento de 30,34% do Bolsa-Família provocou uma alta de 4,1% na arrecadação, ou R$ 12,6 bilhões.

NÚMEROS

R$ 7,5 bilhões
foi o total gasto com o Bolsa-Família em 2006

R$ 1,8 bilhão
refere-se à parcela que superou o gasto de 2005

R$ 43 bilhões
foi o PIB gerado pelo gasto adicional com o Bolsa-Família em 2006

R$12,6 bilhões
foi a receita adicional de impostos com o programa em 2006

 
 

Rio 2016: Lula é "o cara" MESMO!!!

Eu sei que sempre vai ter um mané pra botar água no chopp da comemoração dos brasileiros. Na impossibilidade de qualquer crítica séria para uma sequência quase perfeita de eventos felizes do nosso atual governo, sei que algum desafortunado ainda há de vir me advertir, em tom solene, sobre  os perigos de um ufanismo incipiente. Querem saber? Que se dane! Como falar de ufanismo quando o que nós vemos o tempo todo são brasileiros falando mal de seu próprio país e de seu próprio povo? Falar de ufanismo diante de clichês irritantes como “o Brasil não é um país sério", "esse é o Brasil" ou "o Brasil não tem jeito" que frequentam nossas caixas de e-mail e nossa mídia? Falar de ufanismo quando o que menos fazemos é nos ufanar?
Não, não vejo risco nenhum de ufanismo diante desse eterno complexo de vira-lata do brasileiro, tão habituado a fazer pouco de si, a se colonizar e se submeter. Não corremos risco de ficarmos tão ufanistas quanto nossos irmãos do norte, a ponto de só enxergarmos o próprio umbigo. Aliás, tudo o que precisamos é começar a olhar, pela primeira vez, para o nosso umbigo, enxergando finalmente toda a grandeza desse novo Brasil, admirado e respeitado pelo mundo, um Brasil que não tem vergonha de seu povo, de sua gente, não por condescendência ou paternalismo, mas porque foi essa gente, esse povo guerreiro, amistoso e criativo - representado na figura bonachona de um ex-torneiro mecânico nordestino - que colocou o Brasil em sua merecida condição de protagonista, de potência global.
Esse momento em que o Brasil acaba de ganhar de lavada de EUA, Japão e Espanha, tornando-se o primeiro país a realizar uma olimpíada na América Latina, é o momento certo para coroar toda uma sequência de êxitos inquestionáveis, cuja cronologia exponho abaixo, para nos encher de merecido orgulho. E minha única tristeza é que a esmagadora maioria dessas notícias foi estampada em jornais estrangeiros, porque as grandes empresas jornalísticas brasileiras servem a outros interesses, que não os do jornalismo, que não os da afirmação do Brasil no mundo. Hoje, você, brasileiro como eu, pode comemorar à vontade porque você merece. Pule, ria, grite, comemore, sem medo de ser feliz: Viva o Rio! viva o Brasil! viva Lula! viva o povo brasileiro!
 

E hoje, 2 de outubro de 2009, o Brasil, que já havia conquistado o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, conquista, pela primeira vez em sua história e na América Latina, o direito de sediar uma Olimpíada, a de 2016.

Assista o discurso de Lula que deu a vitória à campanha do Rio:

Assista a emocionante entrevista coletiva que Lula deu após a vitória do Rio:

 
 

Honduras: quando a imprensa é atropelada pelos fatos

Sem comentários. Apenas ouça as catracadas que Carlos Alberto Sardenberg, o profeta do caos e o rei do sorrisinho debochado, levou na CBN. E depois leia os dois belos artigos de Luis Nassif e Luiz Carlos Azenha.

1ª catracada: Marco Aurélio Garcia 1 x 0 Sardenberg

MAG: "Sardenberg, olha só, é a sua palavra contra a de outras pessoas... você não tem nenhum elemento de credibilidade pra essa tese" (diante da insistência de Sardenberg em acusar Chávez - sem provas - de ter levado Zelaya de volta para Honduras)

Sardenberg: "Não, pelo menos o avião ele precisou, do-do-do... Hugo Chávez"

MAG: "Ele não voltou de avião, ele voltou por terra!"

2ª catracada: Comunidade internacional em Bruxelas 1 x 0 Sardenberg

Para desespero de Sardenberg, toda a comunidade internacional apóia a posição do governo brasileiro.

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Viomundo:

Uma surra dos fatos. Literal

Atualizado em 30 de setembro de 2009 às 18:40 | Publicado em 30 de setembro de 2009 às 18:32

por Luiz Carlos Azenha

Na quinta-feira da semana passada o Jornal Nacional do Ali Kamel produziu uma "reportagem" justificando o golpe em Honduras.

Já escrevi a respeito, está aqui

Teria sido apenas um "golpe constitucional", baseado no artigo 239 da Constituição hondurenha. Um golpe democrático, ou para salvar a democracia. A mesma justificativa que o jornal O Globo deu, em editorial, para festejar o golpe de 64 no Brasil.

Leia aqui como o jornal O Globo amou o "movimento de 64"

Ali Kamel aparentemente não leu toda a Constituição hondurenha. Convenientemente, ele se esqueceu de ler os artigos que dizem respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência. Talvez ele não se interesse tanto assim por Honduras. Ou talvez subscreva cegamente a teoria neocon segundo a qual Hugo Chávez é culpado pelo aquecimento global, pelos congestionamentos em São Paulo e pelo mato que cresce no Jardim Botânico.

Os neocons americanos e a versão caricatural deles que cresce mais que mato no Brasil já faz tempo se dedica a fazer do antichavismo a versão recauchutada do anticomunismo. São trapaceiros intelectuais cujo discurso irracional encobre a falta de argumentos. Desde o macartismo o discurso dessa turma é o mesmo: o mundo está cheio de bichos papões dos quais você não conseguirá se defender, a não ser com nossa ajuda.

Isso até faz algum sentido político quando dito em Washington. Afinal, o neoconservadorismo é um movimento genuinamente americano, cujo valor central é a promoção da supremacia política, econômica e militar dos Estados Unidos. É a versão contemporânea daqueles discursos que sustentavam a supremacia racial dos europeus para justificar as barbáries que praticavam na África, na Ásia e na América Latina.

Há um tom religioso, milenarista na argumentação dos neocons. Eles precisam desesperadamente apresentar os outros como encarnações do demônio. Só assim conseguem vender seus serviços como exorcistas. Já viram as capas de Veja sobre o MST? Então já entenderam o que quero dizer.

Mas eu dizia que os neocons americanos fazem sentido no contexto político e econômico dos Estados Unidos. E lá eles genuinamente se dão bem. São requisitadíssimos como tropa de choque intelectual de interesses econômicos gigantescos. Querem saber quem são? É só ver quem sustenta as duas dúzias de institutos de Washington que servem de poleiro aos neocons locais. E dar uma olhada nos patrocinadores de revistas tipo Weekly Stardard, onde eles pagam marra de "inventores do mundo" diante da elite subintelectual de Washington.  

Os neocons brasileiros são subamericanos, assim como a parte "bem-sucedida" da geração de FHC era subeuropéia. Só conseguem se ver assim, ora em uma relação de subordinação, ora em um relação de superioridade diante de seus interlocutores. Trocando em miúdos, descontam no Hugo Chávez e no Evo Morales o profundo sentimento de inferioridade que nutrem em relação aos genuinamente brancos de olhos azuis. Qualquer idéia original, não sectária, é uma ameaça a essa construção mental e, por isso, precisa ser esmagada, especialmente se não tiver recebido "certificação" superior. Por isso, Lula é a encarnação de tudo o que deu errado com o Brasil. E Chávez, na Venezuela.

O que nos leva a Zelaya, que é Chávez. E, se Zelaya é Chávez, tem parte com o demônio. Portanto, quem combate Zelaya é divino. Assim, Micheletti é divino. Do que resulta a reportagem segundo a qual Micheletti assumiu o poder de forma constitucional.

É esse pensamento simplista, binário -- no popular, de tico e teco -- que guia hoje o jornalismo da mais importante empresa de televisão do Brasil.  E é divertido quando os fatos se encarregam de espancá-lo.

Horas depois da Globo dizer que Micheletti tinha apenas seguido o artigo 239 da Constituição hondurenha ao assumir o poder, o homem baixou um AI5. Fechou uma rádio e uma emissora de TV. Hoje, em Tegucigalpa, a polícia espancou um colega da Globo, jornalista da maior competência, que aparentemente "ameaçou" os soldados fortemente armados. O mesmo já havia acontecido com repórteres locais e mexicanos. Sem falar nas centenas de pessoas que foram mortas, presas ou espancadas ao longo dos últimos noventa dias pelo "governo interino e constitucional" do JN, pelas quais a emissora passou batido. 

O golpe em Honduras não foi golpe apenas porque o presidente constitucional foi tirado de pijama do país, sem direito a defesa, nem julgamento. O golpe representou repressão a todas as demandas sociais dos eleitores de Zelaya. Ele aconteceu em uma região marcada pela supressão brutal e histórica de demandas sociais, frequentemente promovida e em benefício de um pequeno grupo  e em detrimento da grande maioria. Foi, portanto, uma quartelada clássica, independentemente das filigranas jurídicas que o editorialista "ditabranda"  da Folha e o Ali Kamel nos querem impingir.

Nessa hora eu gostaria muito de ver o Kamel em Tegucigalpa, cobrindo o "governo interino" de Micheletti, aquele que assumiu o poder "por acaso".

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Luis Nassif Online:

01/10/2009 - 08:28

Honduras: mídia é surrada pela notícia

Esse jornalismo de hipóteses que caracteriza o neojornalismo tupininquim não tem receio da desmoralização, do fato de diariamente tentar passar a perna nos seus leitores – tendo como testemunhas toda a Internet.

Tome-se um caso. A diplomacia norte-americana se enrolou com o caso. A Secretaria de Estado Hillary Clinton adotou uma posição legalista no caso Honduras. Otto Reich, especialista americano da era Bush – influente, com participação na tentativa midiático-empresarial de tentar depor Hugo Chávez – conseguiu convencer parte do parlamento sobre o risco Zelaya. Houve um descompasso que levou o embaixador norte-americano na OEA a criticar Zelaya.

O que era um problema da diplomacia norte-americana – o de não ter uniformizado o discurso sobre o tema – foi colocado como uma crítica ao Brasil. Nem se cuidou de informar que a posição da Secretária de Estado era outra.

Agora, dia após dia vão surgindo sinais de que a posição diplomática brasileira – de firme condenação do golpe de Estado – era correta. Que a convocação do plebiscito serviu de álibi para um golpe de Estado, em que se tirou o presidente eleito sem sequer permitir o direito de defesa.

Desde o início o Itamarati alertava que Micheletti não era confiável, que não se podia fiar na sua palavra. Por efeito pavloviano, toda essa brilhante mídia preferia ficar com Micheletti a dar crédito ao Itamarati.

Agora, toda essa armação, toda esse inacreditável jornalismo de hipóteses – endossado por dez entre dez comentaristas da mídia, em uma homogeneidade admirável – vai ruindo.

Na Folha Online (clique aqui) a afirmação de Micheletti de que Zelaya foi deposto por suas novas inclinações esquerdistas.

Na Folha impressa, entrevista do Sérgio D’Avila com o Secretário-Geral da OEA, endossando plenamente a posição brasileira:

A OEA (Organização dos Estados Americanos) está disposta a aceitar uma nova proposta de conciliação vinda de Honduras, desde que ela use como base o Acordo de San José, elaborado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que prevê a volta de Zelaya, a manutenção das eleições para eleger seu sucessor e o abandono pelo presidente deposto da tentativa de promover uma Assembleia Constituinte considerada ilegal por Congresso e Justiça hondurenhos. A revelação foi feita pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em entrevista na manhã de ontem por telefone à Folha. (clique aqui).

Ou seja, um marciano que chegasse à terra e lesse esses dias todos de jornalismo de hipóteses, concluiria que o Itamarati levou dez gols, não marcou nenhum e terminou vitorioso.

 
 

São Paulo e o PCC: o filme que não foi feito

Eu já tinha falado aqui sobre as vítimas insepultas do maio sangrento de São Paulo e do Oscar a ser recebido por Alckmin se Salve Geral, por milagre, vier a ser um dos escolhidos. Mais importante, porém, faltou falar das mães, essas que, pela extrema cumplicidade entre os grandes grupos de mídia e a dinastia PSDB/DEM que se instalou em São Paulo há 16 anos, não têm seu desespero destacado e repercutido no noticiário. Aí vai uma reportagem, tão corajosa quanto solitária, que corrige isso:

01/10/2009 - 07h01
"Mães de maio" dizem que filme sobre PCC conta meia-verdade
Rodrigo Bertolotto
Do UOL Noticias
Em São Vicente (SP)A combinação de cinema nacional e realidade policial rendeu indicação para prêmios e muita polêmica nos últimos anos com "Carandiru", "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" e "Última Parada 174". E não vai ser diferente com "Salve Geral - O Dia em que São Paulo parou", do diretor Sérgio Rezende, que estreia nesta sexta (2). Até as mães de vítimas do maio sangrento de 2006, pano de fundo do enredo, criticam o filme.

"Esse filme não mostra a matança sobre a sociedade civil. Pelo que li, a história termina no terceiro dia, na segunda, e as mortes continuaram por mais cinco dias", aponta Débora Maria da Silva, que preside a Associação de Amparo a Mães e Familiares Vítimas de Violência. Em uma cena curta, uma dupla de policiais alveja dois garotos na rua a esmo. Em outra sequência, um PM perdoa a vida do filho da protagonista, por haver testemunhas no local.

O grupo é mais conhecido pelo codinome "mães de maio", uma referência ao grupo familiares de vítimas mais conhecido mundialmente, "Madres de la Plaza de Mayo", que luta pela punição dos crimes da última ditadura na Argentina (1976-1983).

Aliás, a dimensão do que aconteceu na semana sangrenta no Estado de São Paulo é demonstrada se comparada com os números do regime militar brasileiro: foram assassinados a tiros 493 pessoas entre 12 e 20 de maio de 2006 em território paulista, enquanto 424 é o total de mortos e desaparecidos pela repressão da ditadura de 1964 a 1985.

O foco principal do filme, que é o indicado brasileiro para a lista final do Oscar de filme estrangeiro em 2010, é a relação entre mãe de classe média e filho presidiário, com ambos se envolvendo com uma facção criminosa que em tudo se parece com o PCC - até é chamada de "o Partido". "Ele não retrata a realidade das mães. Não me sinto representada", afirma Débora sobre o papel interpretado por Andréa Beltrão, que acaba ajudando a advogada da facção, e até se envolvendo sexualmente com um líder criminoso, inspirado em Marcos Herbas Camacho, o Marcola.

Para aumentar a temperatura do assunto, nesta quinta-feira (1º) começa o julgamento de Marcola e Júlio César de Moraes, o Julinho Carambola, pelo assassinato em 2003 de Antônio José Machado Dias, o então juiz-corregedor de Presidente Prudente - seja dito de passagem, esse caso também entra na trama de "Salve Geral".

Depois de ser alvo dos meios policiais, que, em blogs e entrevistas, apontaram desde parcialidade ou ingenuidade do diretor (a principal crítica é apresentar o PCC como defensor dos direitos dos presos e não como uma máfia, como apontam as autoridades locais).

O filme reproduz o tradicional tema da morte dolorosa (a produção anterior de Rezende, "Zuzu Angel" cercava o mesmo mote), mas a figura materna ficcional aceita sem pestanejar as regras do jogo de corrupção e violência. Já as "mães de maio" lutam para que esse estado de coisas mude.

"O problema é que as chacinas promovidas por encapuzados e esquadrões da morte continuam. Isso acontece porque não houve justiça", se queixa Vera Lucia de Freitas, mãe de Mateus, morto a tiros com 21 anos após voltar da escola em São Vicente, litoral paulista.

Junto com ele, foi alvejado seu colega de classe Ricardo Noronha, 17, que tinha acabado de passar em uma peneira do Santos Futebol Clube. "Era a paixão dele. Podia estar agora defendendo o Brasil, mas foi executado", afirma Débora, a líder do grupo santista.

O filho dela caiu primeiro. O gari Edson Rogério Silva dos Santos foi morto na mesma calçada que varreu na manhã do dia 15 de maio de 2006. Após ter sido detido por suposto envolvimento em assalto, ele tentava a reabilitação social. A passagem, contudo, decretou sua condenação à morte por um grupo usando toucas ninjas.

A semana sangrenta teve como estopim a transferência de prisão de vários líderes do PCC. Como retaliação, o grupo criminoso promoveu dezenas de rebeliões prisionais e execuções de agentes do Estado, que ficou a cargo dos indultados pelo Dia das Mães.

Um total de 43 policiais, bombeiros e carcereiros foram assassinados entre sábado e domingo. A reação veio ainda na noite do domingo e foi até o sábado seguinte e vitimou 450 civis, ou seja, dez para cada baixa das forças de segurança.

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo juntou indícios de atuação policial em grupos de extermínio, em um total de 54 casos com "características de execução sumária". "Os laudos mostram tiros de cima para baixo, com a mesma bala atravessando a mão e o crânio, o que aponta que a pessoa estava em posição defensiva. Além disso, os restos de pólvora em torno dos orifícios são típicos de que o assassino estava próximo", explica o ouvidor Luiz Dantas.

Outros casos suspeitos são as 48 ocorrências de "resistência seguida de morte", em que o PM estava em serviço e descreveu que matou após o suspeito não permitir a detenção. "Esse termo não existe na legislação. E o problema é que quem matou aparece no boletim como vítima e a pessoa morta ainda é incriminada", relata Dantas.

O ouvidor afirma que há indícios da participação policial nas chacinas. "Vários depoimentos falam que uma viatura policial passou pelos locais e identificaram pessoas minutos antes que carros pretos com encapuzados chegassem para executar", conta.

A líder das mães é mais taxativa. "Eu atribuo à PM a morte do meu filho", diz Débora, que pede indenização ao Estado, como receberam no ano passado os familiares dos policiais vitimados. Com a comprovação de que por trás das toucas estavam policiais, as mães usam o argumento de que o Estado não ofereceu segurança naquela semana para pedir reparação.

"O Estado não se aparelhou para frear aquela onda de violência. Já que o nexo policial é difícil de caracterizar, afinal, os autores estavam mascarados, as cápsulas de bala foram retiradas e os mortos levados a hospitais antes da chegada da perícia", diz a defensora pública Vânia Pereira, que está à frente de dois casos contra a Fazenda Pública.

A resposta padrão da Secretaria de Segurança Pública é que não há comprovação da presença de agentes do Estado nas ações. Por isso mesmo, não há espaço para pedido público de desculpa. Essa possibilidade se torna ainda mais remota porque o governo mudou de mãos e havia um governo interino à época (Geraldo Alckmin havia se lançado candidato à Presidência e deixou o governo paulista para Cláudio Lembo).

"A morte do meu filho foi um crime político. Era ano de eleição e os poderosos não podiam mostrar que não controlavam a situação. Matar nossos filhos foi a solução", desabafa Débora. Vendo que mais de 60% dos casos foram arquivados e nenhum apontou culpado, sua associação, junto com outras ONGs (organizações não-governamentais), já pediu a federalização das investigações e levou a questão a OEA (Organização dos Estados Americanos).

As mães que viraram ativistas sociais contam que a polícia continua pressionando para que a luta delas não vá à frente. "Eu já sofria todo o tipo de perseguição. No mês passado, fui presa por oito dias acusada de associação ao tráfico. Os PMs chegaram falando que 'não damos viagem perdida' e forjaram o flagrante", conta Ednalva Santos, mãe de Marcos Rebello Filho, 26 à época, um surfista e funcionário de papelaria em São Vicente que foi morto quando saía de uma lan house.

Nas manifestações que participam, as "mães de maio" pintam o rosto de branco e desenham uma lágrima vermelha. "Para quem fala que nós somos as mães de bandidinhos, a gente mostra nossa luta, arriscando a própria vida", afirma Ednalva.

A reportagem do UOL Notícias procurou as corporações, sindicatos e associações dos agentes públicos de segurança, mas todas responderam que os familiares de policiais, bombeiros e carcereiros mortos em maio de 2006 não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

 
 

Hildebrando: Um homem, uma motosserra, um partido

Começou ontem o julgamento de Hildebrando Pascoal. Esse post vai ficar pesado porque vou ter que falar sobre o assunto. É um imperativo, ano que vem tem eleições e as pessoas (do Acre ou não) têm que acordar. Mas se você tem estômago fraco vai ser difícil. Sigamos.

Hildebrando já está preso e condenado a mais de 80 anos de prisão por dois homicídios, tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha e crimes eleitorais (trocava cocaína por votos) e financeiros. Está sendo julgado agora por torturar e matar, em julho de 1996, com requintes de crueldade, um infeliz chamado Agílson Santos, conhecido como Baiano. Segundo o Ministério Público, a vítima teve os "olhos perfurados, seus braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de ter um prego cravado em sua testa". Ainda agonizava quando, segundo testemunhas, o próprio Hildebrando lhe deu o tiro de "misericórdia".

Tem mais: Hildebrando sequestrou e torturou a mulher e os filhos de Baiano. Um deles, de 13 anos, foi corroído vivo em ácido. Morreu porque não sabia dar o paradeiro do pai, assim como Baiano morreu porque não soube dar o paradeiro do patrão, que Hildebrando achava ser o assassino de seu irmão. O que sobrou do corpo de Baiano foi jogado numa rua movimentada de Rio Branco, para servir de exemplo. Como tantos outros corpos desovados pelo esquadrão da morte liderado por Hildebrando, um ex-comandante da PM, no Estado.

Tem mais: Quatro testemunhas do crime da motosserra foram assassinadas (duas dessas mortes foram a razão da condenação de Hildebrando). Três dos 25 pré-selecionados para o Tribunal do Júri pediram para não participar do julgamento, temendo represálias. Investigadores estimam em quase cem os assassinatos cometidos pelo grupo de Hildebrando. "Era uma espécie de assinatura do grupo: corpos decepados, mutilados, jogados no meio da rua", conta o procurador Samy Barbosa Lopes, coordenador do grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público Estadual. Atribui-se boa parte do serviço de limpeza ocorrido no Estado ao então governador Jorge Viana (irmão do senador Tião Viana, também do PT acreano), o que valeu à sua família três tentativas de assassinato.  

Esse é o prólogo da história. O "melhor" eu guardei para o final. Hildebrando foi eleito deputado estadual do Acre pelo PFL, em 1994. e deputado federal em 1998, quando foi cassado. No processo por quebra de decoro parlamentar, Hildebrando foi denunciado quando, ao ser confrontado com os bilhetes que distribuíra dando salvo-conduto a traficantes de drogas e contrabandistas, reconheceu a autoria dos bilhetes e disse que, se fosse necessário, repetiria o gesto porque "bandido não tem placa na testa". A ficha extensa e escabrosa de Hildebrando já era conhecida pelo menos desde 1997, então é de se perguntar: como ele conseguiu ser candidato? candidato, como conseguiu ser eleito? eleito, como conseguiu tomar posse? pior: porque só foi expulso pelo PFL em 26/08/1999, quando sua culpa em tantas acusações já era uma certeza?

Infelizmente, isso não foi um fato isolado no partido. Os candidatos à suplência do coronel eram José Aleksandro, acusado de peculato, falsificação de documentos, improbidade administrativa e desvio de dinheiro público, além de fazer parte do grupo de extermínio de Hildebrando Pascoal (três de seus irmãos já tinham sido condenados por homicídio); e Clóvis Queiroz, que respondia a processo por improbidade administrativa. Todos dois acabaram exercendo mandato de deputado federal pelo PFL, após a cassação de Hildebrando. Vale dizer que, no mesmo 1999, outro deputado federal deixou o Congresso direto para a cadeia: Talvane Albuquerque, também eleito pelo PFL (de Alagoas), perdera o mandato em abril, acusado de planejar a morte da deputada Ceci Cunha, de quem era o primeiro suplente.

Quase uma década depois, em outro extremo do Brasil, no Rio de Janeiro, o deputado estadual Natalino José Guimarães era expulso também do PFL, dois meses após ser preso por chefiar a milícia (um eufemismo para "grupo de extermínio") Liga da Justiça, que aterrorizava a Zona Oeste com Batman e tudo. Coincidência? para quem quiser acreditar.

Curioso é que o PFL, que depois mudaria de nome para DEM (abreviatura de "Democratas", piada de humor negro) numa frustrada tentativa de apagar seu passado perante os eleitores, foi o líder das campanhas mais sórdidas e agressivas contra o PT, na tentativa de colar no partido a marca da corrupção. Foi um seu presidente, aliás, que proferiu a frase famosa, pela arrogância, ódio e racismo tão inéditos quanto explícitos: "A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos". O vaticínio de Jorge Bornhausen, como todos sabemos, falhou. Desde então, privado de seu maior líder (Antônio Carlos Magalhães) e com um projeto político pra lá de jurássico, o DEM só vem minguando, enquanto o PT cresce a cada eleição.

Ah, faltou dizer mais uma coisa, tão ou mais curiosa. Naquele 1999, o corregedor da Câmara, responsável pela cassação do deputado da serra elétrica, era um deputado pouco conhecido, do baixo clero, chamado Severino Cavalcanti (PP-PE). Aquele mesmo que, em 2005, numa manobra da oposição (DEM-PSDB), seria eleito presidente da Câmara dos Deputados derrotando o governo, para logo depois ser detonado pela mesma oposição e por uma campanha implacável de demonização pela mídia, com objetivo de pendurar a conta política no governo Lula. Mais ou menos a mesma manobra que repetem agora, imprensa e oposição, com o senador José Sarney.

P.S.: O terror emanado pela figura desse senhor aí em cima pode ser melhor entendido a partir do depoimento de dois conhecidos repórteres brasileiros, aqui e aqui.

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